01 de outubro de 2020
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GASTOS

Bolsonaros movimentaram quase R$ 3 milhões em espécie em 24 anos na política

A prática, embora não seja ilegal, dificulta a rastreabilidade da origem do dinheiro e pode ser utilizada para ocultar aumentos injustificáveis de patrimônios

Só dois filhos do presidente movimentaram em 24 anos de política R$ 1,5 milhão em cédulas; 'dinheiro vivo'. O giro consiste em compra de imóveis e pagamentos de despesas. O montante corresponde à soma de operações em espécie que envolveram o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, filhos do presidente, ambos filiados ao Republicanos, bem como as duas ex-mulheres do atual ocupante do Palácio do Planalto, Rogéria Bolsonaro e Ana Cristina Valle. A conta chega a R$ 2,95 milhões em valores corrigidos pela inflação.

Dedicados ao estudo dos mecanismos usados para o combate mundial à prática de lavagem de dinheiro, especialistas em direito e transparência reprovam a utilização de dinheiro vivo para transações que poderiam ser feitas por meio do sistema bancário comum. A prática, embora não seja ilegal, dificulta a rastreabilidade da origem do dinheiro e pode ser utilizada para ocultar aumentos injustificáveis de patrimônios, decorrentes de recursos ilícitos.

Revelada ontem pelo GLOBO, a transição mais antiga desse tipo feita pela família ocorreu em janeiro de 1996, quando Rogéria Bolsonaro adquiriu um imóvel em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, por R$ 95 mil. Mãe dos três filhos mais velhos de Bolsonaro, Rogéria estava casada com o então deputado em regime de comunhão parcial de bens — o casal se separou entre 1997 e 1998. Ela não se pronunciou sobre a aquisição.

No casamento seguinte, Ana Cristina Valle, a segunda mulher de Bolsonaro, comprou 14 imóveis enquanto esteve ao lado do marido parlamentar. Cinco deles — duas casas, dois terrenos e um apartamento — foram pagos em dinheiro vivo entre 2002 e 2006, movimentando R$ 243 mil. Os negócios imobiliários do casal, que renderam um patrimônio avaliado em R$ 3 milhões na data da separação, foram revelados no mês passado em reportagem da revista Época. Na ocasião, a defesa de Ana Cristina afirmou repudiar “com veemência qualquer afirmação, de quem quer que seja, indicando a prática de qualquer ato ilícito” por parte da cliente.

FONTE: VEJA AQUI A REPORTAGEM COMPLETA DO O GLOBO.