23 de junho de 2021
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Cargos Federais

Cargos federais: meritocracia de Dilma pode frustrar indicações políticas

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Enquanto o Planalto não define como e quando vai preencher os quadros de segundo e terceiro escalões nos estados, em Mato Grosso do Sul as principais lideranças do PT, PMDB e outros partidos aliados, especialmente quem tem mandato no Congresso Nacional, atuam fortemente em Brasília na expetativa de encaixar suas preferências. O problema é que as indicações políticas estão esbarrando no critério que a presidenta Dilma começou a adotar já no primeiro mandato, ao promover servidores de carreira para chefiar as superintendências e delegacias dos ministérios, autarquias e órgãos auxiliares do Executivo.

Deputados federais e senadores da base de sustentação de Dilma não desconhecem essa tendência pela meritocracia e, sem saída, aprovam a presidenta. Quando não encontram brechas para a indicação política, procuram articular-se com os escolhidos e até fortalecer sua presença no dia-a-dia dos órgãos governamentais.

FÔLEGO E ARESTAS - Entre os apadrinhados e os filhos da meritocracia, boa parte pode estar no grupo de agentes públicos que tiveram seu desempenho aprovado pelo Planalto e, com isso, ganhando fôlego para continuar no cargo. Mas há quem acumule arestas e sofra algum tipo de restrição política ou corporativa. Entre os indicados políticos estão o vereador Gerson Faccina, de Ivinhema, e Anízio Pereira Tiago, superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego, antiga Delegacia Regional do Trabalho (DRT). Faccina foi nomeado delegado federal do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) graças a um empurrão providencial de João Batista dos Santos, o João Grandão, que comandava o órgão até maio de 2014, quando se afastou para concorrer a uma vaga de deputado estadual e se elegeu.

O cargo de Anízio Thiago na chefia da superintendência do Trabalho e Emprego está na cota do PDT desde que o Ministério passou a ser controlado pelos trabalhistas, ainda no governo Lula. O que se comenta é que o principal interlocutor pedetista do Estado com mandato federal, o deputado eleito Dagoberto Nogueira, não quer a permanência de Anízio e trabalha outro nome. Comenta-se que esse nome seria o de um influente dirigente classista

CARREIRA - Em seu primeiro mandato Dilma Roussef nomeou servidores de carreira.na maior parte dos principais órgãos federais em Mato Grosso do Sul, aqueles que mobilizam maiores orçamentos, São os casos do advogado Celso Cestari, do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária); de Aristides Ortiz, da Funasa (Fundação Nacional de Saúde); de Paulo Antunes Siqueira, da CEF (Caixa Econômica Federal); de Carlos Antonio Marcos Pascoal, do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte Terrestre); de Orlando Baez, delegado do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento); e Janaína Gonçalves Theodoro de Faria, da Controladoria-Geral da União (CGU).

Há poucos dias o deputado federal Vander Loubet (PT-MS) levou consigo para uma audiência com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) o titular da Funasa, Aristides Ortiz. Há quem leia essa atitude como demonstração de apoio à permanência de Ortiz no cargo. Esta semana, em outra intervenção que pode ser sintomática, o deputado federal Antonio Carlos Biffi (PT) e seu assessor Bira de Lima; o deputado estadual Paulo Corrêa (PR); e Carlos Brum, assessor do senador petista Delcídio Amaral, consumaram forte articulação com o titular do Incra, Celso Cestari, para implantar o primeiro assentamento de pequenos produtores rurais em Coxim. Para quem acompanha, o desfecho vitorioso dessa demanda indica perfeita sintonia entre o grupo do senador Delcídio (do qual Biffi, Bira e o deputado Vander Loubet fazem parte) e o superintendente do Incra.