12 de junho de 2021
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Carta enviada por presidente da ACP pedindo voto a sucessor pode ter custado mais de R$ 5mil a sindi

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As eleições para escolha da nova diretoria da ACP (Sindicato Campo Grandense dos Profissionais da Educação) continua suspensa por ordem judicial diante de denúncias de irregularidades praticadas pela comissão eleitoral no intuito de privilegiar e direcionar voto dos associados à chapa 1, que tem como candidato o professor Lucilio Nobre, apoiado pelo atual presidente do sindicato Geraldo Gonçalves.

A reportagem do MS Notícias teve acesso a documentos que comprovam as denúncias de que Geraldo estaria articulando com membros da Chapa 1 a eleição de Lucilio. Conforme documentos protocolados pelo professor Alvaro Roberto junto à ação que ingressou com recursos próprios, na justiça solicitando a suspensão da eleição, Geraldo enviou no dia 18 de outubro uma carta aos associados da ACP, pedindo votos para Lucilio, no entanto, a chapa de Lucilio foi registrada apenas dois dias depois.

Outra suspeita de Alvao relatada na denúncia encaminhada à justiça, é de que o custo de envio das cartas, que passa de R$ 5mil, pode ter sido "bancado" com recursos da ACP. Alvaro ainda observa que no dia 16 de outubro, início do processo eleitoral, ele solicitou, por meio de ofício, a listagem dos associados, que pelo regimento do sindicato, deveria estar disponível a todos os concorrentes a partir desta data. No entanto, ele recebeu a listagem apenas no dia seis de novembro. Enquanto as demais chapas solicitavam a listagem (que já deveria estar a disposição) o presidente da ACP já aproveitava o tempo para enviar carta pedindo votos, antes da Chapa 1 estar inscrita.

Conforme Alvaro, na ata da comissão eleitoral, consta a inscrição de: Chapa 1, Chapa 2, Chapa 3 e Chapa 4, no entanto, na publicação das chapa no jornal, suprimiram a Chapa 4. Nomearam Chapa 3 para Diretoria Executiva e Chapa 3 para Conselho Fiscal. Alvaro reafirma que não existe relação entre a Chapa 3, que concorre para diretoria fiscal, com a Chapa 4, que concorre para diretoria executiva. Ele solicitou à comissão que mantivesse a a numeração relatada na ata, para não confundir os aptos a votarem, mas a comissão não atendeu.

Por fim, Alvaro relatou à justiça que Geraldo desrespeito o artigo 42 do estatuto da ACP. Segundo o artigo, a atual Diretoria Executiva da ACP deve indicar o presidente da Comissão Eleitoral (somente uma pessoa), com voto de minerva. Os demais membros serão compostos de tantos membros que se registrarem para concorrer aos pleitos. Acontece que a atual diretoria indicou dois membros (através de ofício) para compor a comissão eleitoral.

 Todos esses fatos foram acatados pela justiça que entendeu fortes indícios de irregularidades por parte da atual diretoria e da comissão eleitoral com objetivo claro de favorecer o candidato da Chapa 1, Lucilio Nobre, dando continuidade ao "legado" de Geraldo Gonçalves, que há nove anos ocupa cargo de presidente do sindicato.

Conforme alguns professores, que buscaram a reportagem do MS Notícias, em defesa de Alvaro, o professor, que atua em escola rural e custeou com recursos próprios a ação que ingressou na justiça, tem há anos lutados na defesa dos direitos do professores de que todos possam efetivamente participar das decisões do sindicato, ao invés de concentrar tudo nas mãos da diretoria.

Heloísa Lazarini