22 de maio de 2024
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ELEIÇÕES 2022

Com currículo invejável, professor Tiago Botelho é o nome de Lula ao senado em MS

Ivinhemense fala sobre suas chances a 3 meses das eleições

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Professor e pré-candidato ao Senado Federal pelo PT, Tiago Botelho, de 39 anos, “filho de Ivinhema, crescido em Naviraí", será o único representante do Lula em Mato Grosso do Sul a disputar uma das vagas no Congresso.

“Não falo do interior, eu vivo no interior”, introduziu ele, que surge como político em Dourados (MS), local onde vive desde 2008.

Em entrevista ao MS Notícias, Tiago contou que apesar de se projetar em 2022, sua vida política começou ainda quando adolescente. “Entrei na política em 1994 pela primeira vez, aos 12 anos, quando coordenei a campanha do meu pai”, lembrou.   

Tiago Botelho fala sobre sua pré-candidatura ao Senado. Foto: Tero QueirozTiago Botelho fala sobre sua pré-candidatura ao Senado. Foto: Tero Queiroz

Desde então, Tiago esteve se especializando e será um dos nomes ao senado com o currículo mais invejável.

É professor adjunto e coordenador do curso de Direito da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); é Doutor em Direito Socioambiental e Sustentabilidade pela PUCPR; Doutorando em Democracia no Século XXI pelo Universidade de Coimbra (CES) em Portugal; Mestre em Direito Agroambiental pela UFMT e Especialista em Direitos Humanos e Cidadania.

Após mais de 10 anos dedicados à formação de bacharéis em direito, efetivamente, Tiago foi convidado a ser candidato ao Senado em 2021 pelo ex-governador Zeca do PT e pelo presidente Lula.

“O governador Zeca estava indo a Ponta Porã e passou por Dourados e me convidou. Com o presidente Lula eu jantei em dezembro em São Paulo, quando apresentaram Lula-Alkmin”, contou. 

No jantar, Tiago disse ter escutado de Lula sobre a necessidade de ter um nome como o dele na disputa pelo Senado. “Ele falou que o PT precisava de novos quadros, que ele me via com bons olhos e que eu tinha que passar pelo Partido dos Trabalhadores do Mato Grosso do Sul. Se passasse, a partir daí, eu seria o candidato dele ao Senado e assim fizemos”, narrou, revelando que há duas semanas esteve em um novo jantar com Lula.

JUVENTUDE X PREPARO 

Tiago Botelho chega concorrerá uma vaga ao Senado aos 39 anos. Foto: Tero QueirozTiago Botelho concorrerá uma vaga ao Senado aos 39 anos. Foto: Tero Queiroz

Tiago é o pré-candidato mais jovem a entrar numa disputa pelo Senado nesse ano, mas o exercício da democracia vem ainda sua infância. “Eu não entrei na política, eu nasci na política. Minha mãe é sindicalista, professora. Meu pai é filiado ao Partido dos Trabalhadores, foi candidato a deputado estadual duas vezes e foi vice-prefeito de Naviraí”, disse.

“Em 2015 fui morar na Europa, morei em Portugal por um ano, estudei na Universidade de Coimbra. Eu voltei e passei no concurso da UFGD e hoje coordeno o curso de direito da UFGD, onde sou professor, um dos 5 melhores cursos de direito do estado”, explicou.

Em Portugal o professor Tiago fez doutorado em direito. “Eu terminei um doutorado no Brasil na PUC Paraná e eu faço um doutorado em Democracia no Século 21 na universidade de Coimbra orientado pelo professor Boaventura de Souza Santos, que é uma referência mundial”, esclareceu.

Em 2018, o estado do Tocantins elegeu Irajá (PSD), o senador mais jovem da história do Brasil aos 35 anos, idade mínima exigida para concorrer e assumir o cargo. 

Antes de Irajá, o mais jovem foi Gladson Cameli (PP-AC), que assumiu o cargo em 2014 aos 36 anos. 

Em 2010, havia sido a vez de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), atual líder da oposição, o mais jovem da sua legislatura, com 37 anos. 

Dois anos mais velho que esse último, Tiago fez uma análise técnica de suas chances. Disse que há grande possibilidade de ele ser eleito em razão de ser o único nome a representar o projeto Lula em MS. "Eu acredito que eu sei quem é o eleitor que quer escolher o presidente Lula. O meu eleitor é o eleitor do presidente Lula", apontou. "O eleitor do Lula não me conhece porque eu nunca fui candidato, porque moro no interior e é difícil fazer política de lá. E sou novo na política. Só que ser novo na política não me desabona ser candidato ao senado. De todos eu sou o que mais tenho qualificação, tecnicamente o mais preparado”, destinguiu. 

NÚMEROS

Tiago Botelho é uma das opções ao Senado para o eleitor sul-mato-grossense. Foto: Tero QueirozTiago Botelho é uma das opções ao Senado para o eleitor sul-mato-grossense. Foto: Tero Queiroz

No último jantar que teve com Lula "há algumas semanas", segundo Tiago, o debate agora amadurecido, foi sobre o panorama e desaficos à vaga de senador pelo PT em MS. "Ele [Lula] sabe que está em empate técnico no Mato Grosso do Sul [para presidente]. Ele disse que o PT teve conhecimento de uma pesquisa na qual a gente chega a 6%, antes da campanha”, comentou. Mostramos aqui no MS Notícias que 5ª mostra do Instituto Raking Brasil revelaou no domingo (3.jul.22), que Lula oscilou positivamente conquistando um empate técnico com Bolsonaro em MS.

A 1ª pesquisa Ipems, divulgada na quarta-feira (6.jul.22), mostra Tiago com 3,39% para a vaga ao senado no cenário estimulado. Ele está atrás do ex-juiz federal Odilon de Oliveira (PSD), que teve 15,93%, e do ex-ministro da Saúde e deputado federal Luiz Henrique Mandetta (União Brasil), que teve 8,40%. Lidera essa pesquisa a ex-ministra Tereza Cristina, isolada com 34,99% das intenções de voto. 

A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número MS-04652/2022 e obedece à Resolução 23.600/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento custou R$ 15 mil e foi pago pelo CPF/CNPJ: 03119724000147 - Correio do Estado Ltda (íntegra).

Tiago Botelho diz que subir no palanque ao lado de Lula pode impulsionar sua campanha. Foto: Tero Queiroz Tiago Botelho diz que subir no palanque ao lado de Lula pode impulsionar sua campanha. Foto: Tero Queiroz 

“Eu não tenho obrigação, eu nunca fui candidato, é a 1ª vez que eu sou candidato. Quem tem obrigação de estar bem é a Tereza Cristina, que não está bem nas pesquisas... ela lidera, mas lidera com dificuldade, porque ela é a ministra que deixou o Brasil na fome”, argumentou Tiago.   

Há 3 meses das eleições, Tiago garantiu à reportagem que não recuará da corrida e que acredita na vitória. “Não existe possibilidade de a gente não ser candidato ao senado. O nosso projeto hoje que envolve educação é o Senado. Eu tenho o apoio incondicional do presidente Lula, do ex-governador Zeca e de todas as correntes do PT. Nós tivemos o encontro de tática e nós fomos aprovados com unanimidade. O nosso nome como pré-candidato ao senado é inegociável. O Lula insiste em algumas composições, mas isso é para ampliar e para a vitória no 1º turno, mas não passa pela pré-candidatura ao senado”, garantiu.

Para Tiago, o crescimento na pesquisa é decorrente das pessoas o conhecerem como ‘candidato de Lula em MS’. “Qual é a chance de uma pessoa que vai votar no Lula, votar no projeto Tereza Cristina? São projetos antagônicos. Tereza Cristina defende armas, deixou o Brasil voltar para o mapa da fome, são 33 milhões de pessoas famintas. O projeto Tereza Cristina é de aumento da gasolina e do preço da comida. O projeto do presidente Lula é o meu projeto”, disse. 

Tiago Botelho fez uma análise madura da sua situação na corrida pela cadeira de senador por MS. Foto: Tero Queiroz

Na análise de Tiago, quando seu nome for vinculado efetivamente ao de Lula, seu desempenho nas pesquisas irá crescer consideravelmente. “Eu devo viver o que a Soraya viveu com Bolsonaro. Quem era a Soraya? Não era ninguém, mas o Bolsonaro a puxou [em 2018]”, lembrou citando a situação da agora senadora da república Soraya Thronicke (União Brasil).

“O presidente Lula e o nosso trabalho na universidade. Eu ajudo a formar boa parte dos advogados de Mato Grosso do Sul. Eu já dei aula na Unaes, já dei aula na UFMS, na Uems e hoje na UFGD. Então, a nova juventude bacharel em direito de Mato Grosso do Sul me conhece. E tenho absoluta certeza que mostrando a diferença do meu projeto para o projeto Tereza Cristina, eu e ela nós devemos polarizar. Ela representa o Bolsonaro no Mato Grosso do Sul e eu represento o presidente Lula. E ela vai ter que mostrar para a sociedade sul-mato-grossense o que ela fez por Mato Grosso do Sul. Porque aonde eu chego eu sei o que o Lula fez. Por exemplo, eu chego aqui em Campo Grande, o Lula construiu quase 40 mil casas, habitações. O que o Bolsonaro construiu em Campo Grande? A Tereza Cristina precisa responder para o eleitor. Na época que a gasolina era R$ 2,80 a culpa era da Dilma, as pessoas fizeram manifestação em Campo Grande contra o preço da gasolina. Hoje a gasolina beira a R$ 8, R$ 10 a culpa é... ‘ninguém sabe de quem é’? É do presidente e da ministra Tereza Cristina”, apontou. 

O pré-candidato acredita que Bolsonaro não conseguirá ressuscitar temas de 2018, porque as pautas deste ano estão na mesa.  “Esta eleição, diferente da outra eleição [de 2018], que Bolsonaro ficou falando de comunismo, de kit gay, de mamadeira de piroca, de ideologia de gênero, essas coisas... essa eleição de 2022 é uma eleição que a política chegou na mesa do brasileiro. O sul-mato-grossense não aguenta mais pagar a gasolina no preço que está, a energia, a conta de água, o preço da carne. Para mim é nítido, nós temos que discutir propostas! E aí, é  a primeira vez que o Brasil tem dois presidentes enfrentando. O projeto do PT tem erros? Nós temos erros, mas nós temos o que apresentar de acertos. E o governo Bolsonaro? Para além de fake news, mentiras e liberar armas de todo mundo, o que ele fez? Ele precisa apresentar o que ele fez em Mato Grosso do Sul”, opinou.

PAUTAS

Tiago Botelho em entrevista ao MS Notícias fala sobre suas propostas. Foto: Tero QueirozTiago Botelho em entrevista ao MS Notícias fala sobre suas propostas. Foto: Tero Queiroz

O foco das eleições deste ano terá grande pendência para a área econômica. “Essa eleição é para falar de comida na mesa, as pessoas estão com fome. Falar de emprego, de melhoria da economia, de melhoria do SUS e de valorização da educação. O brasileiro está desempregado e com fome, nós precisamos discutir isso”, acrescentou. 

Tiago disse que se eleito senador por MS sua principal missão será afunilar o alcance do congresso aos municípios. “Nós vamos interiorizar o mandato do Senador. Eu não vou esperar o prefeito de Campo Grande, independente do partido, acho que a gente tem que avançar. Política, você faz a disputa  na eleição, depois, se for de direita ou de esquerda não importa, nós temos que melhorar a vida do povo. Eu vou ganhar a eleição numa semana, na outra eu  rodar esse estado e eu quero um dossiê, com as potencialidades de cada município e os problemas de cada município. Eu não vou esperar o prefeito no meu gabinete. Se ele quiser ir, qualquer partido que ele seja, nós vamos dar guarida para ele”, prometeu. 

O professor disse que, caso seja eleito, ingressará com agenda para frear as queimadas no Pantanal. “É papel do senador ir discutir a soja entrando nos rios. Veja você, queimaram 4 milhões de hectares no Pantanal em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. É um fogo criminoso, as pessoas queimam para fazer pasto e fazer monocultura”, destacou.

Além disso, Tiago apontou que é preciso discutir a questão da Saúde no Mato Grosso do Sul, principalmente no interior. “Eu vou ajudar os prefeitos, porque os prefeitos estão endividados. O Bolsonaro não ajudou os prefeitos, eu vou ajudá-los. Vou ser esse elo entre MS e o presidente Lula”, completou.