22 de junho de 2021
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Consenso foi “batizado” na Governadoria e Assembleia lacrou a fórmula

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Diante de Reinaldo Azambuja (PSDB) e do secretário-chefe da casa Civil, Sérgio de Paula, na primeira reunião do ano entre seus protagonistas, 23 dos 24 deputados estaduais tiveram a maior parte do tempo dedicada a ouvir a exposição de motivos do governador tucano e apelos para uma parceria institucional, evidentemente, na antiga praxe de preservação da autonomia dos poderes. Tal parceria implica, em conjunturas como a de Mato Grosso do Sul, uma associação colaborativa na qual Executivo e Legislativo se comprometem a partilhar apoios político e administrativo.

Os sinais de boa-vontade deveriam ser manifestados concretamente, de lado a lado, nessa manhã de segunda-feira passada. O governador queria ouvir primeiro – e sentir – a disposição dos deputados em relação às ações do Governo. É óbvio que, individualmente, ele sabia ou já pesava criticamente intenções e influências de cada parlamentar. De uns, mais que outros. Ocorre que num ambiente com todo mundo junto e misturado esse termômetro talvez fosse um registro mais fiel. E a pauta do encontro foi, então, marcada por gestos que decidiriam alguns processos capitais no ano político que começa domingo, 1° de fevereiro, na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.

O governador pôde medir o grau de apoio que terá no Palácio Guaicurus conforme as posições dos deputados, tanto em manifestações de bancada ou individuais. Não erra quem dividir em três os tipos de apoio ou oposição que se desenham. Há o apoio total e irrestrito, que unem os cinco deputados do PSDB e DEM. Há o apoio convencional, que nasceu num contexto episódico – é aquele dos deputados que subiram ao palanque de Azambuja no segundo turno, incluindo eleitos pelo PMDB, PSB, PDT, PTdoB e PEN. Há o apoio crítico, por enquanto restrito ao PR. E há a oposição ideológica e administrativa, a dos deputados do PT, que não se negam a endossar ações politicamente palatáveis à legenda.

Azambuja fez sua parte na reunião. Deixou os deputados à vontade para responder ao seu apelo. E não deixou de enfatizar a forma como se conduziu em relação à disputa na Assembleia, evitando forçar a unção de um parlamentar da coligação que oficialmente amparou sua candidatura. Traduzindo: o governador fez ver que não embicou com o poder do executivo para alavancar Zé Teixeira (DEM). Ganhou, por isso, junto às bancadas, uma porção de crédito. Não se sabe o tamanho, mas um crédito suficiente para sugerir aos 23, naquele encontro, que aceitaria de bom grado a solução consensual mais provável, a ser indicada pela matemática dos votos. Era nítida a dianteira numérica de Júnior Mochi para a presidência. A Zé Teixeira restaria o consolo da 1ª secretaria e, quem sabe, um estímulo para ficar de stand by até 2017, quando acontecerá nova eleição para a Mesa.

Os 23 deputados deixaram a Governadoria já conscientes que sem uma chapa de consenso todos seriam arrastados numa disputa de consequências imprevisíveis. Para a imprensa, a versão combinada seria a de que a reunião não tratou da eleição na AL. E a corroborá-la sobreveio o anúncio de um encontro decisivo no dia seguinte, no território mais apropriado, a sede do Legislativo. Entretanto, as principais cartas do jogo haviam sido assinaladas na presença do governador, com a afirmação da preferência majoritária pela solução que contempla Mochi e Teixeira nos principais cargos.

O desfecho previsível veio na reunião de hoje, no gabinete da presidência da Assembléia. O próprio Mochi, por iniciativa dos colegas, sentou-se à cabeceira da mesa. Lugar do presidente. A chapa única só não foi fechada porque faltava preencher dois cargos, a 3ª vice-presidência e a 2ª secretaria, ainda sem definição dos partidos que indicarão seus titulares.

Com isso, Azambuja livrou-se de um tormento e asfaltou o terreno para livrar-se de outro, que é formar a bancada da própria governabilidade, acrescentando como companhia a DEM e PSDB o PMDB, o PDT, o PTdoB, o PEN e o PR.