01 de dezembro de 2021
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FESTANÇA

Cristiane Brasil canta "Malandragem" e após Cunha, Lira leva Centrão ao poder

Lira elegeu-se com folga e recebeu forte apoio financeiro do presidente Jair Bolsonaro

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Montado por Eduardo Cunha (MDB-RJ) em 2014 e, atualmente, responsável pela base de sustentação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), o bloco de partidos chamado “Centrão” foi conduzido ao poder novamente, após a vitória de ontem, 1º de fevereiro de 2021, onde Arthur Lira (PP-AL) recebeu 302 votos, suficientes para fechar a fatura no primeiro turno, contra 145 de seu principal adversário, Baleia Rossi (MDB-SP). O posto, de presidente da Câmara dos Deputados, agora ocupado por Lira, que é alvo de várias investigações e condenado em instâncias por corrupção, foi de Cunha — presidente da Câmara de fevereiro de 2015 a maio de 2016, quando foi afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal e acabou, depois, sendo cassado e preso em decorrência da Operação Lava Jato.

Na festança de ontem, não só o Centrão esteve presente, mas também a extrema direita. Lira elegeu-se com folga e recebeu apoio financeiro do Planalto e, imediatamente, voltou-se contra os adversários. Estava há minutos empossado quando anulou o ato do antecessor, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que havia reconhecido o bloco de Rossi, privando aliados do emedebista de pelo menos um dos quatro cargos a que teriam direito na Mesa Diretora. Argumentou que o PT havia se registrado como integrante do bloco derrotado com seis minutos de atraso. Maia havia perdoado, Lira escolheu ser rigoroso e formalista, ampliando seu espaço no comando da Casa. Estes outros cargos da Mesa serão preenchidos em votação hoje.

Lira comemorou a vitória com uma festa durante a madrugada numa mansão no Lago Sul. Ministros que trabalharam para a vitória do líder do Centrão confraternizavam com hoje críticos do presidente Bolsonaro, como a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP). Mas a noite teve dois destaques. Um foi o karaokê, no qual Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, cantou Malandragem, sucesso de Cássia Eller — ano passado, Cristiane passou 33 dias presa por suspeita de corrupção. O outro foi uma bolsa de apostas sobre quanto tempo Lira levará para enquadrar Bolsonaro, sabe-se todos, talvez não o Planalto, mas Lira está em tal cargo para auto proteção contra a Lava-Jato. 

A Câmara elegeu Lira, candidato apoiado pelo presidente Bolsonaro, que abriu os cofres em favor do deputado condenado em duas instâncias por peculato e lavagem de dinheiro e denunciado por outros crimes, inclusive violência doméstica. Sua posse lembrou a de Eduardo Cunha, com a gritaria entusiasmada do Centrão e do baixo clero. Houve até foguetório na Praça dos Três Poderes ao final da sessão.

No Senado, a decisão e a transição foram razoavelmente tranquilas. Com um leque de apoio que ia de Jair Bolsonaro ao PT, Rodrigo Pacheco (DEM-RJ) foi eleito com 57 votos. Abandonada até pelo próprio partido, Simone Tebet (MDB-MS) ainda conseguiu 21 votos. Bolsonaro comemorou no Twitter a vitória do aliado, e aproveitou para destacar a votação em cédulas de papel, nova investida sem nenhum fundamento do chefe do Executivo federal. Vale ressaltar que ao dizer que as eleições de 2018 foram fraudadas, Bolsonaro ainda precisa apresentar provas à Justiça Eleitoral, ele ainda não conseguiu produzir nenhuma.