26 de novembro de 2020
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Delcidistas garantem estar conscientes das constantes commplicações dos tucanos

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) está bem consciente dos prós e contras que envolveriam a possível aliança com o PSDB do deputado federal Reinaldo Azambuja na sucessão do governador peemedebista André Puccinelli. De acordo com bem-postados escudeiros delcidistas, o pré-candidato petista sabe exatamente o que pode e o que não pode esperar dos tucanos e não cultiva qualquer ilusão de obter mais do que este singular arranjo tem condição de oferecer.

reinaldo e delcidio

“O que alimenta essa tentativa de casamento político-eleitoral é a perspectiva de somar forças para potencializar um projeto comum: derrotar o PMDB em nível estadual, como já aconteceu na sucessão municipal de Campo Grande”, afirmou-me esta fonte. Segredou também que alguns defensores do acordo PT-PSDB sonham estender essa união até à sucessão campograndense de 2016. “Seria uma forma de amarrar bem os interesses que se direcionam  contra o PMDB”, acrescentou.

Pode ser divagação, mas o raciocínio e os cenários desenhados têm lógica. Se o PMDB souber explorar as incompatibilidades entre petistas e tucanos, pode num primeiro momento reforçar a corte a Azambuja, investindo na reconstrução da parceria tucano-peemedebista, que por mais de 20 anos fez o PT engolir poeira nas disputas eleitorais em Campo Grande.

A falta de densidade política da pré-candidatura de Nelsinho Trad, que ainda não empolgou as bases peemedebistas, e as incontornáveis diferenças entre PT e PSDB, abririam aos alquimistas pró-PMDB nova formulação para a disputa majoritária. Uma idéia que começa a ganhar corpo nos bastidores é remanejar os nomes já carimbados pela legenda para facilitar a cooptação dos tucanos. Nesse caso, em vez da vice-governadora Simone Tebet, o nome para o Senado seria Reinaldo Azambuja, que em troca apoiaria o candidato peemedebista, ou Nelsinho Trad ou a própria Simone. Isto se a vice-governadora voltar atrás na proclamada intenção de candidatar-se a senadora ou a nenhum outro mandato.

Como se pode constatar, da mesma forma que para o PT vale-tudo contra o PMDB, a recíproca é verdadeira. As diferenças entre o PT e o PSDB são de formulação e comportamento político-ideológicas, que abrem feridas mais profundas. Há objetivos programáticos pontuais, emblemáticos, que põem petistas e tucanos em trincheiras radicalmente opostas.

Já na relação histórica entre PMDB e PSDB, as feridas são de inspiração político-afetiva, em princípio mais fáceis de cicatrizar. No âmbito regional, o ferimento foi aberto na sucessão campo-grandense, quando Azambuja construiu e emplacou sua candidatura a prefeito, à revelia das vontades de Puccinell, que passou mais de dez anos edificando a unção de Edson Giroto. Deu no que deu: os votos de Azambuja determinaram o segundo turno e, nele, a confirmação da vitória de Alcides Bernal (PP) e o primeiro e contundente revés do PMDB.