17 de janeiro de 2021
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ARTIGO

Eleições 2020

Lula e Bolsonaro são os derrotados e do outro lado Dória, Rodrigo Maia, e os líderes dos partidos MDB, PP, PSD, PL são os vencedores

Num primeiro momento, olhando os dados e os resultados das eleições em todas as 5.465 cidades especialmente nas 27 capitais brasileiras, eu posso começar esse artigo dizendo que, de um lado, Lula e Bolsonaro são os derrotados e do outro lado Dória, Rodrigo Maia, e os líderes dos partidos MDB, PP, PSD, PL são os vencedores.  Num outro campo,  PDT de Ciro e o PSB da família de Eduardo Campos avançam e nesse caso, fortalece a aliança a ser construída, como já comentada pela imprensa. Ainda em outro campo, o PSOL que apesar de ter eleito apenas 5 prefeitos, dentre eles o arquiteto Edmilson Rodrigues em Belém, fez Boulos em SP ter muita luz, mas muita mesmo, criando fatos novos e bons para uma próxima empreitada, que não será a nacional (apesar de eu achar que o Boulos será, novamente, candidato em 2022).

Portanto, amanhã começam as eleições 2022. Bolsonaro  já começou há mais tempo quando aderiu e sentou no colo nos partidos do Centrão lhes dando cargos e poderes e prestígio e esses partidos conseguiram eleger muitos mas muitos prefeitos. 

Mas Dória sai muito forte. Seja porque o PSDB conseguiu eleger Bruno Covas e mais 520 prefeitos, seja porque Dória nesse momento, se apresenta como opção ao centro entre a polarização do PT (com ou sem Lula) e o Bolsonaro, ainda nesse momento sem partido. 

Eu até aposto que haverá uma trágica redução da popularidade dele em 2021, seja porque a economia vai mal, o emprego idem e as pessoas sem renda especialmente os mais lascados, irão engrossar o caldo de pontos ruins e péssimos de sua avaliação.

Por outro lado, Dória tá muito afim de armar uma boa aliança com o DEM do Rodrigo Maia, que se sai muito bem nessas eleições municipais, elegendo 465 prefeitos (um dos que mais cresceu com os destaques para Salvador e Floripa) e com o MDB que continua sendo um partido municipalista com 786 prefeitos e diversas capitais e cidades grandes.

Sendo assim, quais as alternativas da chamada esquerda?

Poucas pois cada partido continua olhando seu umbigo.

Lula já disse. Frente de esquerda para 2022 será, se quiserem, com o PT na cabeça. Ora, isso não é frente de oposição é frente de imposição. Vai se ferrar pois Flávio Dino perdeu as eleições em São Luiz (uma boa estrela do PCdoB), o PT não fez nenhum prefeito de capital ou de cidade grande (ficou restrito a 183 cidades médias e pequenas) e sem um nome (que não seja o Haddad que foi derrotado pelo Bolsonaro e tem um discurso bom para a classe média e de nível superior do campo democrático, mas que tem imensas dificuldades de se encontrar com o eleitorado lulista, por razões óbvias - ele não é o Lula).

Então para concluir, vou arriscar.

Esse é Ângelo Arruda Esse é Ângelo Arruda. Foto: Reprodução

Os candidatos em 2022 serão: Bolsonaro (a depender da economia e da traquinagem de seus filhos, ele pode desabar em popularidade ano que vem); Dória, num arco de alianças de partidos e com o apoio da Globo, do grande capital e de um PSDB que não ficou limpo dos atos de corrupção de seu grande líder (Aécio Neves) junto com o MDB, DEM e outros como o PTB etc; Ciro do PDT com o PSB, talvez a REDE e outros; o PSOL com o Boulos e acho que com chances do PCdoB aderir, dada as condições de 2020; o PT pode ficar sozinho (como o PSOL ficou em SP com chapa pura Boulos/Erundina) com Haddad ou sabe lá quem pode sair (não creio que o Lula seja ingênuo de encarar um processo eleitoral)  e claro, aquele monte de partidos pequenos que sempre saem com candidatos para cumprir tabela como o partido Novo que somente elegeu um prefeito em Joinville e que seu governador em Minas Gerais não elegeu nenhum prefeito. 

Nesse quadro, João Dória tem mais chances que todos os demais. Leve em consideração em em novembro de 2020, o brasileiro optou em votar quem lhe dá confiança, quem está trabalhando e concretamente melhorando sua cidade e sua vida e deixou de lado a polarização de 2018.  Ou seja escapuliu dos extremos e correu para o meio. Essa prá mim será a opção de 2022. 

Em 2021 e 2022 não existirá agenda de corrupção em debate pois o próprio Bolsonaro que se elegeu nessa esteira, anda escondendo e se escondendo desse tema que já bateu na porta de sua casa com a sua mulher e na porta de seu filho Flávio. Esse tema não vai ser o protagonista. Prá mim vai ser a economia e nesse campo, seu governo além de incompetente não está contribuindo, sequer, para uma agenda que permita que o brasileiro olhe prá frente e se veja no futuro com alguma chance. 

Infelizmente, o PT não tem espaço para a esperança em 2022. As feridas abertas desde o Mensalão e a Lava Jato, abriram feridas e cicatrizes em sua trajetória de um grande partido de esquerda que precisará de muito methiolate para aplacar. E mais verdades precisam chegar ao povo e mais reflexões. Não vejo nada disso no PT no curto e no médio prazos. Boulos tem essa capacidade hoje mas talvez, o PT, com seu pragmatismo clássico, dê-lhe uma paulada para não permitir seu crescimento.

AUTOR: *Ângelo Arruda é arquiteto, urbanista, compositor, músico e escritor