12 de fevereiro de 2026
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TEXAS - EUA

Extremista de direita mata a filha a tiros após ela falar mal de Donald Trump

Antes do assassinato ele disse que 'não se importaria muito se a filha fosse estuprada'

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Um inquérito judicial no Reino Unido classificou como homicídio doloso o assassinato de Lucy Harrison, de 23 anos, morta a tiros pelo próprio pai, Kris Harrison, no dia 10 de janeiro de 2025 em Prosper, perto de Dallas, no estado do Texas (EUA).

A corte do Texas havia livrado Kris, apontando que ele matou a filha com um tiro acidental, mas o caso foi retomado pelos britânicos e revela como o discurso de ódio de Donald Trump destruiu a vida de uma jovem.

Lucy foi assassinada dias antes da posse de Donald Trump em 2025.

Antes de matar a filha, Kris havia sido confrontado por ela, que questionou o porquê de ele apoiar um presidente com histórico de violência sexual contra mulheres.

Naquele dia trágico, a filha questionou o pai: "Como você se sentiria se eu fosse a garota nessa situação e tivesse sido agredida sexualmente?".

Lucy estava se referindo ao fato de que, em 9 de maio de 2023, um júri de Nova York considerou Donald Trump culpado por abuso sexual contra a escritora E. Jean Carroll, mas o considerou inocente da acusação de estupro de vulnerável. Eles concederam a Carroll US$ 5 milhões em indenização como uma espécie de "cala-boca".

O bilionário, agora presidente dos EUA, foi acusado de abusar sexualmente de 20 mulheres, mas conseguiu se livrar de 19 acusações.

Diante da pergunta, Kris teria respondido à filha "que tinha outras duas filhas que moravam com ele, então [se Lucy fosse estuprada] isso não o incomodaria muito".

Chocada com a resposta do pai, a jovem subiu para o quarto e foi seguida pelo genitor. Momentos depois, o namorado de Lucy, Sam Littler, escutou um disparo e subiu ao quarto, encontrando a namorada agonizando segundos antes da morte.

O QUE APONTAM OS BRITÂNICOS

A legislação do Texas permitia que Kris mantivesse a arma carregada sem qualquer treinamento prévio, mesmo ele tendo histórico de alcoolismo.

Enquanto a justiça americana arquivou o caso como acidente, a legista britânica apontou negligência grave.

A decisão destaca que o pai apontou uma pistola Glock 9mm para o peito da filha e puxou o gatilho deliberadamente.

Kris costumava portar a arma pela casa, em uma atitude descrita como uma fantasia de poder.

Os britânicos também apontam a falha das autoridades texanas em realizar testes toxicológicos no autor, que, segundo testemunhas, estava bêbado quando matou a filha.

Kris Harrison matou a filha dentro da residência após ela falar mal de Donald Trump.

VIDA CEIFADA PELO EXTREMISMO DE DIREITA

O namorado dela, Sam Littler, que era muito presente na vida dela, falou sobre os eventos horríveis daquele dia, contando como Lucy sempre foi uma pessoa carinhosa e altruísta que trazia alegria a todos ao seu redor. "Ela era a melhor, tão amorosa e cheia de vida", disse Sam em uma homenagem emocionante. "Eu nunca esperava por isso. Ninguém jamais poderia imaginar que algo tão sem sentido aconteceria com alguém tão gentil".