19 de abril de 2021
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SENADO FEDERAL

Há 2 séculos homens comandam Senado, Pacheco é eleito o próximo

Senadora sul-mato-grossense seria a primeira a mulher, mas foi derrotada pelo candidato de Jair Bolsonaro, Rodrigo Pacheco do DEM, desse modo, Centrão volta ao comando

Sem novidade, foi eleito nesta tarde de 2ª-feira (1.fev.21) o senador Rodrigo Pacheco (DEM) a comandar a Casa pelos próximos 2 anos. A sul-mato-grossense Simone Tebet (MDB) foi traída, abandonada às faces da eleição, até mesmo por colegas de sigla e por colegas de estado. Ela se torna a 1ª mulher em quase 2 séculos a concorrer pelo comando do Senado Federal. 

Pacheco recebeu 57 votos e Tebet levou 21. Jorge Kajuru (Cidadania), Major Olímpio (PSL) e Lasier Martins (Podemos) abriram mão de suas candidaturas minutos antes da eleição nesta tarde para anunciaram apoio à Tebet.  Ao todo, o Senado possui 81 senadores - três por estado.

Ela foi lançada pela sigla no início de janeiro à presidência do Senado, mas semanas depois e às vésperas das eleições o apoio do próprio partido foi retirado. Ainda assim, a três-lagoense seguiu, afirmando representar grupo de senadores.

A senadora propôs um novo pacto político no Senado “sem as lentes embaçadas pelos interesses individuais e de grupos, pelos desvios e pelas barganhas, que fizeram invisíveis, para a política, milhões de brasileiros, mais ainda agora, pelos efeitos da pandemia”, disse durante seu discurso antes da abertura do processo de votação para a presidência do Senado na tarde desta segunda-feira (1º). Ela defendeu independência do Senado, reformas estruturantes, prorrogação do auxílio emergencial, programa eficaz de imunização em massa, valorização da educação, geração de emprego e renda, participação da mulher na política e a reformulação do pacto federativo.

Em fala poética, a senadora sul-mato-grossense usou a frase atribuída ao general romano Pompeu, “navegar é preciso, viver não é preciso” para dizer: “o viver que não é preciso é o viver que se acomoda, é o viver que se acovarda, é o viver que se intimida, é o que se entrega e se curva que coloca seus próprios interesses à frente da vida de 210 milhões de brasileiros”, disse.

Simone criticou ingerência do governo federal nas eleições do Senado. “Não tenho cargos externos a oferecer, nem emendas extraorçamentárias, nem apoios oficiais que não sejam os espontâneos e legítimos, vindos dos diferentes segmentos da sociedade brasileira. O que tenho a oferecer é um trabalho coletivo em favor do Brasil”, disse.