24 de julho de 2024
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Indígenas desmentem cunhado de Eloy Terena e apontam manobra por cargo

Lideranças protestam contra o ex-chefe do Dsei, cuja família vende cachaça na aldeia

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Arildo Alves Alcântara, cunhado de Eloy Terena, secretário executivo do Ministério dos Povos Indígenas estaria ‘plantando’ mentiras nos bastidores da política indigenista no Mato Grosso do Sul, com intuito de retornar para um cargo na Fundação Nacional dos Povos Indígenas, de onde foi demitido em outubro de 2023. 

De acordo com um manifesto de lideranças indígenas sul-mato-grossenses, Arildo teria compartilhado manifestações em aplicativos de mensagem alegando que havia um ‘conluio’ de indígenas contra o Ministério dos Povos Indígenas, chefiado por Sônia Guajajara. 

Num vídeo, Alex Fernandes Figueiredo, Presidente do Conselho da Aldeia Buriti, foi enfático ao rebater Arildo: “Venho a público repudiar o áudio do Arildo Alves Alcântara, que está rodando nas redes sociais. Dizer que isso é mentira, quando ele fala que a Aldeia Buriti está contra a ministra Sônia Guajajara, contra o secretário-executivo Luis Eloy, então isso não é verdade. A Aldeia Buriti apenas tem alguns questionamentos, não que é contra. Então, eu venho dizer a todos que isso não é verdade”.

Segundo Alex, os indígenas são unânimes acerca da péssima gestão feita por Arildo e que o histórico da família dele ‘mancha’ qualquer possibilidade de ele compor novamente o quadro de funcionários da Funai. “Porque o nosso companheiro Arildo ele já esteve trabalhando na Sesai aqui no polo base de Sidrolândia. Ele há foi nosso secretário de assuntos indígenas e não fez um bom trabalho, então venho a público dizer para todos, como que nós vamos aceitar uma pessoa dessa na Funai? Sendo que os pais vende cachaça, vende a pinga dentro da própria comunidade indígena. Então, nós lideranças da Aldeia Buriti, lutamos para combater o alcoolismo, enquanto, será que vamos aceitar uma pessoa dentro da Funai que o próprio pai e mãe vende a cachaça? Então, é isso que eu venho repudiar em nome das lideranças da Aldeia Buriti”.

No mesmo vídeo, Ageu Reginaldo, Cacique da Aldeia Lago Azul também protestou contra as afirmações de Arildo, apontando que o manifesto contrário a MPI foi uma crítica, não uma oposição.  “Eu venho aqui esclarecer sobre um áudio que está repercutindo aí em redes sociais do nosso companheiro Arildo, e dizer que quando ele se referiu ao Conselho Terena..., eu queria dizer que isso não é verdade, que foi feita aquela carta de repúdio diante de várias discussões, vários debates dos caciques legítimos de cada aldeia, onde tem integrantes do Conselho Terena. O trabalho do Conselho Terena tem sido uma referência aqui no estado e a nível nacional, nós temos aqui duas organizações interligadas com organizações a nível nacional – APIB. Então, nós pedimos a essas duas organizações e aqui no Conselho Terena, quando refere-se a ministra Sonia Guajajara, ao secretário Executivo Luis Eloy, nós temos alguns questionamentos sobre programas, sobre projetos que são destinados para nossa população indígena, e nós queremos simplesmente um esclarecimento”, argumentou.

Para Ageu, o trabalho do atual quadro de funcionários da Sesai é satisfatório e qualquer mudança sugerida fere a decisão da organização social indigenista de MS. “Quando trata-se de troca de coordenadores aqui no estado de Mato Grosso do Sul, tanto da Funai, da Sesai, nós precisamos sim de um esclarecimento, porque a porta de entrada aqui no estado chama-se Conselho Terena. Foi dito aí por nosso companheiro Alex de que as pessoas que estão hoje na direção, na coordenação, o companheiro Elvis tem feito um trabalho muito sério, portanto nós pedimos que seja respeitada a continuidade do companheiro Elvis, então, portanto, senhora ministra, senhor secretário executivo, respeite a nossa organização social. É isso que nós pedimos!”, completou. Assista os vídeos: 

ALVO DE DENÚNCIAS

A herança de Arildo como chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei-MS) é um procedimento administrativo instaurado pelo Ministério Público Federal para apurar uma denúncia feita pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), de que nos seis meses que esteve no cargo, Arildo desviou materiais de construção, utilizou diárias para passeis familiares, utilizou veículos pertencentes à Dsei para fins particulares e celebrou contratos de locação de veículos sem transparência.

De acordo com o MPF, Arildo é suspeito “mandar carregar a caminhonete com mangueiras e equipamentos adquiridos pelo Dsei que deveria ser entregues à indígenas, no entanto, os materiais nunca teria sido entregues a qualquer aldeia”.

Diante disso, o MPF determinou que o ex-chefe da Dsei apresentasse a relação de diárias recebidas e uma planilha justificando as viagens em conjunto com uma relação de veículos próprios utilizados na Dsei para qual fim, e também o quadro locatário. 

Além disso, o órgão investigador cobrou informações acerca da contratação de um homem chamado Silvio Ortiz, que teria sido contratado por Arildo para chefiar o setor financeiro do Dsei.