17 de abril de 2024
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BOLSONARO

Insegurança de Bolsonaro continua confundindo a direita em MS

Contar, Pollon, Catan, Adriane...quem será o próximo no entra-e-sai do ex-presidente para definir seu apoio

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Logo depois das eleições estaduais de 2022, o bom desempenho do candidato a governador Capitão Contar (PRTB) agradou o então presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentava se reeleger. Militar da nova geração, com os dois pés no campo da direita e entusiasta dos credos bolsonaristas, era a promessa que o presidente colocou na manga para a disputa da Prefeitura de Campo Grande.

Dois anos depois, Contar perdia altura no tamanho que lhe havia sido dado pelo ex-presidente. Por "culpa" das urnas. Contar passou a ter em sua companhia, e em maior consideração entre os "queridinhos" de Bolsonaro, duas figuras entronizadas pelos eleitores: o mais votado entre os eleitos nas oito vagas na  Câmara dos Deputados, o advogado armamentista Marcos Pollon (PRTB), e a senadora eleita, Tereza Cristina (PP), a ministra do agro.

De início,Tereza Cristina deu o recado: não se candidataria a prefeita da Capital, embora sabendo que esta era uma das principais arrumações na cabeça do ex-presidente para as eleições municipais. Estava mais focada no mandato senatorial, porém à disposição de Bolsonaro para substituí-lo se ele eventualmente não se candidatasse à Presidência da Republica em 2026. 

E não houve vácuo na fila de opções do bolsonarismo para a disputa campo-grandense. Com o Capitão Contar e Tereza Cristina excluídos das cogitações, emerge a figura de Pollon, que assume o controle total do PL estadual, instiga os correligionários a descartar a hipótese de apoiar nomes de outros partidos - entre os quais o da prefeita Adriane Lopes - e instala-se no mosaico fazendo sugestivas poses de pré-candidato.

Foto: ReproduçãoFoto: Reprodução

CATANIZAÇÃO

Não durou muito o flerte entre Pollon e a pré-candidatura, porque o ex-presidente ensaiou entrar no circuito novamente, com outros planos e outros nomes. No final da semana passada, em entrevista a uma emissora de rádio local, sugeriu fortemente, como torcedor e futuro apoiador, que se tudo desse certo o candidato do bolsonarismo em Campo Grande seria o deputado estadual João Henrique Catan (PL).

Mal terminou a entrevista, Catan já estava embandeirado no teatro de visibilidades para desfilar com a deferência do líder máximo do partido. E passou a dar entrevistas tentando calibrar a euforia e procurando ressalvar que a escolha seria feita democraticamente pelo partido. Mas eram inúteis as tentativas de fisfarçar aquela mesma pose que Pollon havia ostentado por algum tempo. Simpatizantes de Catan já faziam planos sobre quem chamar para vice e quais seriam os nomes da equipe de campanha.

Enquanto aqui em Campo Grande parte do bolsonarismo ensaiava uma onda de "catanização", lá em terras pernambucanas, Jair Bolsonaro, em entrevista a uma emissora de rádio, operava a "descatanização" na Cidade Morena. Tudo não havia dado certo para Catan, como havia condicionado o ex-presidente. A partir de Pernambuco o nome da vez do bolsonarismo na capital sul-mato-grossense seria a candidata apoiada por Tereza Cristina. A qualquer bem-informado, um pingo é letra: a "descatanização" foi trocada pela "adrianização". exatamente: Adriane Lopes, a prefeita.

Foto: ReproduçãoFoto: Reprodução

PORTEIRA

Com suas marchas e contra-marchas, o ex-presidente carregou as baterias da incerteza e abriu uma brecha que pode ser transformada em porteira de um processo corrosivo em suas fileiras. Se a escolha de Adriane é boa para Tereza, fiel e ferrenha bolsonarista, o mesmo não se pode afirmar em relação ao governador Eduardo Riedel (PSDB). É só conferir as eleições estaduais de 2022. 

Na ocasião, foram para o 2º turno em Mato Grosso do Sul o Capitão Contar e Riedel, sendo que Bolsonaro teve o apoio de ambos na sucessão presidencial. E agora, se vingar efetivamente a insinuação do ex-presidente e Adriane ganhar a condição de "sua" candidata, como ficaria Riedel, que é filiado ao PSDB, partido que lançou a pré-candidatura do deputado federal Beto Pereira e está mexendo as peças no tabuleiro para ampliar sua base de sustentação eleitoral.

Riedel não irá atacar Bolsonaro. Mas não se sabe como fará se Beto e Adriane forem para o segundo turno. O governador precisará administrar os dois lados na moeda de seu dilema político e gerencial: poupar a candidata apoiada por Bolsonaro e fazer a campanha de Beto conservando a parceria e a confiança dos petistas e demais forças fiéis ao governo Lula, que, com toda certeza, vão fazder um duro confronto com o bolsonarismo. 

Riedel votou e pediu votos para Bolsonaro. Contudo, desfruta de boas relações com o governo Lula e está de bem com os petistas locais, que até fazem parte dos escalões superiores da administração tucana. Pode ser que as respostas para estas equações só sejamn conhecidas em outubro. Até lá, o bolsonarismo terá que lidar com a instância de seu cacique e o ambiente de instabilidade partidária, em virtude da grande possibilidade de prisão que ronda o marido de Michele Bolsonaro

Outro contexto embrulhado é saber o que fará o PL se ficar provado que uma senadora do PP tem maior influência que os líderes do próprio partido do ex-presidente. O questionamento vale para os remanescentes do PRTB, como Pollon, Contar e o deputado estadual cassado Rafael Tavares. Pode ser que se convençam de um aspecto mujito importante: a chefia do Executivo na Capital é um posto político e eleitoral muito poderoso, e esta seja talvez a principal motivação de Bolsonaro, um chefe que não sabe o que fazer com o poder que ainda tem.