23 de junho de 2021
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Londres, aos 73, um ex ainda de chuteiras: “Estou feliz da vida”

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Não se pode dizer que ele volta a ser um cidadão comum. Afinal, quem acumulou mais de 45 anos de vida pública com 12 mandatos – o primeiro de vereador em Fátima do Sul e os demais, sem interrupção, de deputado estadual -, batendo o recorde nacional de longevidade representativa, viveu domingo passado seu primeiro dia efetivo sem vínculo institucional com a Assembleia Legislativa. Ao lada mulher, Ilda, foi ao Palácio Guaicurus para prestigiar a posse da filha Grazielle Machado e, de quebra, acompanhar de perto uma solução que ajudou a construir: o consenso multipartidário que resultou na chapa única para a composição da Mesa Diretora.

Difícil chamar de aposentadoria o descanso a que Londres se propôs para dedicar-se à família e cuidar da saúde com mais tempo e disciplina, após luta longa e dolorosa contra um câncer dos mais agressivos. “Não sou mais deputado. Porém, é impossível ficar longe da política, até porque sou presidente estadual do PR e vou manter sempre o mesmo contato que mantive com os companheiros desde que comecei. Vamos nos dedicar ao fortalecimento do partido”, avisou. Seu gabinete, um dos mais espaçosos e estruturados da Casa, foi entregue a Grazielle, a herdeira política, embora faça questão de ressalvar: “Ela vai continuar uma história familiar, mas com autonomia para fazer seu próprio trabalho, com sua própria luz e seu próprio estilo”, derramava-se.

Pendurar as chuteiras é, portanto, uma definição exagerada no caso de Londres. Para deixar claro que não vê empecilhos em conciliar família, afazeres particulares e as funções de dirigente partidário e conselheiro político, ele resumiu o que significa a nova realidade: “Estou feliz da vida”. E emendou: “E não poderia ser diferente após todos esses anos abençoado por Deus com muitas vitórias eleitorais, políticas e administrativas”. Agora é esperar, avalia, que o povo do meu Estado analise e julgue o que fiz e o que não fiz. Respeito o julgamento popular, é soberano”.

Londres garantiu não ter direcionado a decisão dos dois deputados do PR (Grazielle e Paulo Corrêa) de optar por Júnior Mochi, do PMDB, que tinha como concorrente o democrata Zé Teixeira. “A bancada do PR agiu com autonomia, estava liberada para isso”, afiançou. Sobre a postura do partido em relação ao governo do tucano Reinaldo Azambuja, o ex-deputado entende ser fundamental o bom-senso, mesmo defendendo um crédito de confiança ao governador. “O PR usará de coerência. E será transparente. Vai apoiar as medidas que de fato expressem o sentimento coletivo e o interesse público, mas sem prejuízo do papel institucional e programático de fiscalizar o Executivo”.

Além dos 12 mandatos consecutivos iniciados em 1969, Londres já assumiu o governo do Estado interinamente duas vezes – nos afastamentos dos governadores Harry Amorim e Marcelo Miranda, em 1979 e 1981 – e foi seis vezes eleito para presidir a Assembleia Legislativa. A filha Grazielle é a segunda esperança de continuação do sobrenome Machado como protagonista político no Estado. A primeira não prosperou, quando Guy, filho de Londres, se elegeu vereador em Campo Grande e terminou o mandato (1993-96) sem vontade de prosseguir na política, optando pela carreira empresarial.