25 de setembro de 2021
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Mais um depoente de CPI afirma desconhecer realidade de indígenas em MS

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Mais um depoente ouvido na tarde desta terça-feira (10) na CPI que investiga atuação do Cimi (Conselho Missionário Indigenista) no Estado afirmou desconhecer a realidade de indígenas em Mato Grosso do Sul. O ex-desembargador de Roraima, Alcir Gursen de Miranda admitiu não ter dados oficiais contra o órgão ligado à igreja católica, sobre denúncias de financiamentos de invasões a propriedades rurais no Estado.

Durante a oitiva, Alcir Gursen relatou fatos ocorridos na demarcação de terra indígena na Raposa Serra do Sol, acusando abertamente integrantes da igreja católica de promover a violência entre indígenas e fazendeiros, em Roraima.“A igreja católica tem uma cartilha de 1977 que mostra tática de guerrilha, incita ataques aos trabalhadores rurais que não são índios, ensinam a destruir cercas, roubar gados, que mina toda forma de resistência  dos trabalhadores rurais”, explica.

Mesmo desviando o foco principal no depoimento, o ex-desembargador afirmou ao deputado Marquinhos Trad (PMDB) ao ser questionado sobre informações da atuação do Cimi que "as ações praticadas pela entidade em Roraima não deve ser diferentes das desenvolvidas por daqui", disse. E acrescentou “a estratégia é a mesma. Eles [Cimi] usam a mesma Lina de atuação, porque são ligados ao Conselho Mundial das Igrejas. Eles fazem campanha de tentáculos operacionais contra projetos de desenvolvimento do país”, ressalta.

Na oportunidade, o deputado Pedro Kemp (PT) esclareceu para ex-desembargador, a atual situação sobre o impasse entre indígenas e produtores, que segundo o parlamentar se arrasta por mais de 60 anos.“Temos a segunda maior população indígena do país, cerca  de 75 mil, e oito etnias, que ocupam apenas 1% das terras em Mato Grosso do Sul. Já no Mato Grosso são 45 mil indígenas, que ocupam território de 14%. Para resolver a questão da possa da terra aqui o governo precisaria destinar somente três mil hectares de terras”, informou Kemp ressaltando o alto índice de pobreza entre a população e inúmeras ocorrências de suicídios.

À CPI do Cimi já prestaram depoimentos os jornalistas Lorenzo Carrasco e Nelson Barretto, estudiosos da área, produtores rurais, indígenas, o delegado da Polícia Federal Alcídio de Souza Araújo, e o procurador do MPF ( Ministério Público Federal), Emerson Kalif. Esta foi a terceira rodada de oitivas da comissão.