25 de setembro de 2020
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"RACHADINHA"

Movimento de R$ 2,7 milhões em espécie nos negócios de Flávio Bolsonaro

Investigações foram encerradas e devem seguir adiante, que de acordo com MP, cabe apresentar ou não denúncia contra o parlamentar

O Ministério Público do Rio de Janeiro diz ter identificado em dois anos, nos negócios e em pagamento das despesas pessoais do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), pelo menos R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo, no período que ele era deputado estadual. Ele alvo de investigação que apura esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do RJ.  

Segundo o MP, os valores foram drenados após diversos saques em espécie feitos por assessores, que nem sequer prestavam serviços de fato, e repassados para Fabrício Queiroz. Lotado com assessor no gabinete de Flávio, o subtenente da reserva da Polícia Militar e amigo do presidente Jair Bolsonaro há quase 30 anos é apontado como o operador do esquema.

Detalhes da investigação, concluída em agosto, foram reveladas pela revista Época. A circulação do dinheiro foi mapeada pelos procuradores, que pediram a quebra de sigilo de dezenas de pessoas que transitaram pelo antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio.

No total, as investigações em desfavor do senador, atravessaram 762 dias, sendo encerrada em agosto; promotores ainda analisam suspeitas associadas ao vereador Carlos Bolsonaro.

Terminada a investigação, o próximo passo do Ministério Público do Rio de Janeiro é apresentar a denúncia contra os envolvidos. No caso de Flávio, a denúncia deve vir só depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o foro do senador. 

Depois da reportagem de ÉPOCA, no ano passado, mostrar que o vereador Carlos Bolsonaro nomeou pessoas que nem sequer viviam na capital fluminense, a investigação resvalou para o gabinete do irmão mais novo e esquadrinhou um complexo xadrez na movimentação de funcionários em família. Hoje, a mesma turma de investigadores do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC) que cuidou do caso de Flávio se debruça sobre o gabinete de Carlos, suspeito de também ter se beneficiado do esquema da chamada “rachadinha”. O foco em zero dois, o mais mercurial dos irmãos, preocupa o clã presidencial.

Fonte: ÉPOCA.