05 de agosto de 2020
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Ocupações indígenas geram prejuízo de quase R$ 100 milhões ao Estado

O presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) Francisco Maia afirma que a instabilidade jurídica gerada pelos conflitos entre índios e produtores rurais no interior do Estado tem refletido no desenvolvimento econômico do Estado devido à queda de produção de grãos assim como da pecuária.

Segundo Chico Maia, existem, hoje, cerca de 100 mil hectares de terras ocupados por índios, que restringe a produção de grãos e a criação agropecuária do Estado e gera um prejuízo anual aproximadamente de R$ 97,5 milhões. “Esse cálculo ainda é aproximado, pois consideramos que, pelo menos, metade das terras seja apta para agricultura, já que existem terras que geograficamente não são favoráveis, ou seja, estamos contando com apenas 50 mil hectares”, explica Chico Maia.

Na manhã de ontem, na Câmara Municipal de Vereadores de Campo Grande, o presidente da Acrissul esteve acompanhado de produtores rurais para conscientizar a sociedade sobre a condição de insegurança estabelecida no campo. “Hoje vivemos um clima de insegurança jurídica e física, não queremos de forma alguma formar uma milícia, queremos apenas nos proteger e cuidar das nossas terras que compramos com fruto de nosso trabalho”, afirma.

Chico Maia chamou a atenção para a influência de ONGs (Organizações Não Governamentais) do exterior sobre a população indígena do Estado. Segundo ele, existe um interesse econômico por trás dessas ONGs que, segundo Chico Maia, financiam os índios para incentivar o confronto com produtores rurais no intuito de desacelerar o crescimento da economia do Estado, consequentemente, do Brasil. “Hoje, o Brasil é um dos principais produtores de grãos do mundo, por isso é claro que existem organizações que têm interesse em frear o avanço de nossa produção”, explica.

Outro prejuízo do conflito destacado por Chico Maia é a perda de áreas de alta produtividade na região do Cone Sul. Segundo ele, a região é mais fértil do Estado e é justamente o alvo da Funai (Fundação Nacional do Índio) para ampliar as aldeias e reservas indígenas no Estado. “Se a Funai, que chamamos de Funerária Nacional do Índio, implantar o projeto de ampliação que abrange o Cone Sul, perderemos nossas terras mais férteis e isso irá inviabilizar economicamente todo o Estado”, alerta.

O presidente da Acrissul destaca que, embora seja divulgado que os produtores rurais estão contra os índios, o real posicionamento da classe produtora é de lutar pelos próprios direitos e evitar que terras sejam demarcadas de forma aleatória, como, segundo ele, tem sido feito pela Funai. “A Funai precisa cuidar dos índios, o problema do índio não é terra. A aldeia dos Kadiwéus, por exemplo, está em uma área de 300 mil hectares onde vivem apenas 1500 índios, ou seja, são 200 hectares por índio, e eles vivem em extrema pobreza”, observa Chico Maia.

Para o presidente da Acrissul, falta, por parte da Funai, assistência aos índios e aprofundamento das reais necessidades dos mesmos. “A Funai nunca fez um estudo real para saber por exemplo quantos hectares cada índio deve ter, como acontece no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que determina que para cada assentado seja conferido sete hectares. Hoje, o maior crime que está sendo cometido é contra os índios, que, além de sofrerem pelas terras, acabam indo para as cidades e sofrem preconceito”, explica.

Heloísa Lazarini