22 de junho de 2024
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CPI | PANDEMIA

Pazuello "blinda" Bolsonaro, mente e acusa CFM por uso da cloroquina

Durante sessão houve ainda desentendimento entre senadores e o presidente da CPI, ao tratar as mortes por falta de oxigênio em Manaus

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Eduardo Pazuello, general ex-ministro da saúde, segue em depoimento pela CPI da Covid-19 e já tentou poupar Jair Bolsonaro (sem partido), dizendo não receber ordem do presidente. Em sua tentativa de blindagem ao chefe do executivo federal, alegou ainda que não houve desvio de verbas federais para Estados e municípios, responsabilizou o Conselho Federal de Medicina (CFM) pelo uso da cloroquina e comentou a crise sanitária em que várias pessoas morreram sem oxigênio em Manaus, polo onde o ex-ministro que é militar da ativa, atuou na 12ª Região Militar da Amazônia.

Durante sua fala, o ex-ministro da Saúde disse que soube da crise de oxigênio no estado do Amazonas apenas na noite do dia 10 de janeiro. "Se tivéssemos sabido antes, poderíamos ter agido antes", alegou. Ele confirmou que teve conversa com o governador Wilson Lima (PSC), na noite do dia 7 de janeiro, mas que na ocasião não foi alertado.

Ainda assim, assumiu que seus esforços começaram apenas no dia 12, com fornecimento extra de cilindros de oxigênio e que a crise sanitária, no Amazonas, durou apenas nos dias 13, 14 e 15.

Diante disso, Eduardo Braga (MDB), que é senador pelo Amazonas,  rebateu o ex-ministro, apontando que mortes por falta de oxigênio foram registradas até o fim do mês.

"O senhor estava lá e viu com seus olhos, os amazonenses morrendo por falta de oxigênio. Antes a gente ficava dependendo da ajuda do Gusttavo Lima, do Paulo Gustavo", completou Aziz, que é natural do Amazonas.

MENTIRAS E CLOROQUINA

Pazuello chegou a fazer um anúncio em reunião com governadores, sobre a compra de vacina vindas da China. Quando então foi diagnosticado com coronavírus e estava com a doença, foi desautorizado pelo presidente, que visitou o ministro doente, ambos sem proteção individual, para a realização de uma live onde Eduardo chegou a dizer "É simples assim: um manda e o outro obedece'.

Ex-ministro e presidente, quando Pazuello estava com Covid-19

Na época dessa possível compra, por diversas vezes o chefe do executivo federal afirmou, através das redes sociais, que havia mandado cancelar acordo de intenção de compra da Coronavac, segundo apontam apurações da Agência Folhapress.

"Ele [Pazuello] tem um protocolo de intenções, já mandei cancelar se ele assinou. Já mandei cancelar, o presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade. Até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado nela, a não ser nós", disse o presidente em 21 de outubro do ano passado.

Hoje (19.mai.2021), Pazuello afirmou que nunca recebeu ordens para cancelar o acordo e que a declaração e mensagens de Bolsonaro nas redes sociais eram do "agente político''.

"Nunca o presidente mandou eu desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan. Ele [Bolsonaro] nunca falou um ai sobre o Butantan. Uma postagem na internet não é uma ordem", disse o ex-ministro à CPI.

Quanto às recomendações da cloroquina contra a Covid-19, o ex-ministro disse que seguiu nota do Conselho Federal de Medicina e que "o Brasil usa a cloroquina há 50 anos".

"Fizemos nota informativa seguindo o Conselho Federal de Medicina, que fez publicação dando autonomia médicos para utilizarem medicamentos. Quando começou o MS emitiu realmente uma orientação sobre o uso na fase grave. Feita pela gestão de Mandetta, que é médico. Os médicos estavam usando off label. Isso é notório. Então nós redigimos uma nota técnica", apontou.

CONFUSÃO

Houve também um desentendimento entre senadores, envolvendo o presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), que suspendeu por alguns minutos a sessão da comissão nesta 4ª feira (19.mai.2021). O "embate" veio após discussão com o senador Luís Carlos Heinze (PP-RS).

Quando os senadores perguntaram a Pazuello sobre o fornecimento de oxigênio para o estado do Amazonas, em janeiro, Heinze interrompeu para falar que o governo federal enviou R$ 2 bilhões para o estado.

Natural do Amazonas, Aziz confrontou o colega de parlamento. "Você é mentiroso, rapaz. Larga de ser mentiroso".

Não é a primeira vez que Heinze provoca polêmica na CPI, especialmente por seu posicionamento em defesa da hidroxicloroquina. Em outros momentos, o presidente da CPI já repreendeu o parlamentar.