24 de junho de 2021
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Expectativa

Semana de articulações na Câmara cria expectativa na gestão Olarte

Sem verbas até para adquirir material que lhe permita uma costura que possibilite manter a maioria simples dos vereadores, Gilmar Olarte e seu líder, Edil Albuquerque buscam restauram uma administração que se esfarrapa

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Na primeira semana dos trabalhos legislativos do biênio 2015-2016, o que se pôde observar no plenário da Câmara Municipal foi intensas negociações para a composição das Comissões Permanentes e uma intensa movimentação que visavam dar um direcionamento ao comportamento dos vereadores da base de apoio do prefeito Gilmar Olarte (PP), bem como os de oposição, a partir das constantes e graves denúncias que rondam o Executivo municipal.

Com a divulgação de imagens feitas por eleitores, que comprovam desvios da operação tapa-buracos, o que antes eram denúncias contestadas pelo Executivo municipal, agora se tornaram um fato desabonador que difundiu de forma negativa e para todo o país, não apenas a Capital, mas a imagem de todo o Mato Grosso do Sul.

A isso soma-se a diversas outras irregularidades, ou falhas administrativas, como as obras de construção e reformas de Centros de Educação Infantil (Ceinfs) que estão paralisadas; falta de medicamentos e material nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA); não cumprimento do acordo que previa reajuste dos professores – e que agora penaliza os professores contratados que, apesar de estarem em planejamento a partir do dia 9 de fevereiro, deverão receber salários referente apenas a partir do início das aulas em 19 de fevereiro, trabalhando sem honorários por dez dias –; desvio de função da Guarda Municipal, que passa a aplicar multas de trânsito criando inconstitucionalmente uma indústria de multas; a ilegalidade do Centro Municipal Pediátrico, idealizado, feito e mantido com uma série de ilegalidades.

Para uma Capital com tantos problemas, o prefeito Gilmar Olarte justifica as faltas com duas explicações: falta dinheiro e são orquestrações da oposição. Parece que esses argumentos não têm conseguido convencer o eleitorado, uma vez que em recente evento com a presença da presidente Dilma Rousseff e do governador Reinaldo Azambuja e demais autoridades, Olarte foi o único ruidosamente vaiado por todo o público quando teve seu nome anunciado para compor palanque e novamente quando iniciou seu discurso.

O que a população gostaria de ver explicado é o motivo de apenas algumas empresas estarem recebendo pelo trabalho executado enquanto para tantas outras o pagamento não é efetuado. Um dos motivos seria a exoneração de servidores contratados pela antiga administração – que despendeu gastos com o pagamento dos encargos – e a contratação de um elevado número de novos servidores, atendendo a toda sorte de acordos.

Para quem assumiu o comando da administração municipal em 13 de março de 2014, portanto sem que ainda tenha completado um ano de gestão, é impossível crer que o volume de dinheiro em caixa tenha se prestado a tão pouco.

 

Articulações

As articulações que eram percebidas entre os vereadores deixaram tanto Olarte quanto seus secretários na expectativa dos desdobramentos futuros, e nos gabinetes do Paço Municipal as contas começam a serem feitas para saber, na bacia das almas, quantos vereadores se manterão fiéis.

Na sessão inaugural de abertura dos trabalhos legislativos de 2015, realizada na segunda-feira (2), o prefeito apresentou um balanço da situação atual do município, descortinando um mar de rosas em uma cidade perfeita, ainda que por diversas vezes tenha dito desconhecer uma série de dados sobre diversos setores. Na opinião dos vereadores, isso demonstra falta de interlocução entre secretarias e elas com o chefe do executivo.

O momento mais crítico foi o pedido de criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tapa Buracos, idealizada pela vereadora Luiza Ribeiro (PPS). A equipe de bombeiros capitaneada pelo vereador Chiquinho Telles entrou em cena e a CPI foi esvaziada com a proposta de uma audiência pública que permita ao secretário municipal de Administração, Valtemir Brito, e às empresas envolvidas apresentarem suas justificativas, caso elas existam.

Os discursos foram recheados de críticas, o que pediu a intervenção do presidente da Mesa Diretora, Mario Cesar (PMDB), que em discurso pediu que os vereadores dessem um crédito ao Executivo para evitar a continuidade do desgaste sofrido pela Casa desde a cassação do prefeito Alcides Bernal (PP), e pelo bem de Campo Grande.

Além dos problemas enfrentados pela Capital e do volume e constância de denúncias, os vereadores reclamam da falta de comunicação com os secretários, que sequer atendem aos seus telefonemas.

Entrou em cena, na sexta-feira, um Edil Albuquerque visivelmente tenso, por um lado tentando colocar os professores contratados, que ensaiavam uma pequena manifestação,, em contato com servidores da Secretaria de Finanças; por outro informando aos vereadores que havia agendado uma audiência com Valtemir Brito para a segunda-feira (9) – que está confirmada para as 17h no Plenarinho. Conseguiu, com essa manobra, evitar os ataques que viriam em discursos.

Agora, é aguardar para ver os alinhamentos a serem definidos nos próximos dias. Verificar quais se alinham entre os que se manterão fiéis à base de Olarte, os que se bandearão para a oposição, e os que engrossaram a maioria dos que já se declaram independentes. De qualquer forma, a administração caminha no fio da navalha.