22 de maio de 2024
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EXTREMISTA DE DIREITA

'Sumo bolsonarismo', deputado usa peruca e faz discurso transfóbico na Câmara (vídeo)

Ele até deu dicas de como as mulheres devem comportar-se para serem 'valiosas'

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O sumo do bolsonarismo, eleito deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), usou a tribuna da Câmara dos Deputados brasileira nesta 4ª.feira (8.mar.23), para fazer um discurso transfóbico e para isso, usou até mesmo uma peruca loura.

Movido pelo ódio que sente pelas pessoas LGBTQIA+, em tom de deboche, o bolsonarista dizia que se "sentia mulher" tendo "lugar de fala" para discursar sobre a efeméride.

“Hoje, me sinto mulher. Deputada, Nicole. As mulheres estão perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres. Para vocês terem ideia do perigo que é isso, eles estão querendo colocar a imposição de uma realidade que não é a realidade”, bradou o mineiro com voz odiosa às pessoas gays e transexuais. 

As declarações levaram parlamentares a pedir a cassação de seu mandato. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que o plenário não é palco para exibicionismo e muito menos discursos preconceituosos.

Nikolas afirmou que estava defendendo o direito de "um pai não querer que um marmanjo de dois metros de altura entre no banheiro da filha sem ser considerado um transfóbico". A sequência de falas criminosas do deputado foi reconhecida até mesmo por ele, comopassíveis de prisão. “Posso até ser condenado”, disse ao defender sua posição preconceituosa. 

O extremista de direita, que tem o ex-presidente Jair Bolsonaro como ídolo, germinou como Youtuber de extrema-direita para defender pautas racistas, homofóbicas e tudo que há de pior na sociedade. Ele pregou hoje — no Dia Internacional da Mulher — que o feminismo não teria feito nada pela igualdade entre os gêneros. Além disso, fez um discurso com recomendações sobre como as mulheres deveriam se comportar para serem consideradas 'valorosas'. “Mulheres, retomem sua feminilidade, tenham filhos, amem a maternidade, formem sua família. Dessa forma, vocês colocarão luz no mundo e serão, com certeza, mulheres valorosas”, continuou Nikolas.

A fala de Nikolas na Câmara:  

A deputada Tabata Amaral (PSB–SP) anunciou que, ao lado da bancada do PSB, vai acionar o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e pedir a cassação do mandato de Nikolas Ferreira. Ela pediu a palavra durante a sessão Câmara e chamou o deputado do PL de "moleque". “Estamos falando de um homem que no Dia Internacional das Mulheres tirou nosso tempo de fala para fazer uma fala preconceituosa, criminosa, absurda e nojenta. A transfobia ultrapassa a liberdade de discussão que é garantida pela imunidade parlamentar”, apontou Tabata.

Dep. Tabata Amaral (PSB - SP). Foto: Pablo Valadares/Câmara dos DeputadosDep. Tabata Amaral (PSB - SP). Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A fala de Tabata na Câmara: 

 

Na mesma linha, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) anunciou que irá protocolar uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Nikolas por transfobia. "Em pleno 8 de março esse sujeito acha que pode cometer crimes e sair impune. Não passará!", publicou a parlamentar em seu Twitter.

Sessão Deliberativa. Dep. Sâmia Bomfim (PSOL - SP). Foto: Pablo Valadares/Câmara dos DeputadosSessão Deliberativa. Dep. Sâmia Bomfim (PSOL - SP). Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A fala de Sâmia na Camara: 

 

INVESTIGADO

As práticas de crimes por Níkolas são recorrentes. Ele é investigado desde fevereiro por injúria racial contra a também parlamentar Duda Salabert (PDT -MG). O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) acatou um pedido do Ministério Público sobre o caso e determinou que a 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte analise a queixa-crime da deputada de 2020. À época, o deputado usou por querer um pronome masculino para se referir à Duda, que é uma mulher transexual.

Em junho do ano passado, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais também instaurou inquérito para investigar vídeo publicado pelo então vereador Nikolas considerado transfóbico. Ele foi acusado de LGBTFobia e violação do artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por expor uma jovem de 14 anos nas redes sociais.

Na gravação, o vereador pedia o boicote de uma escola privada de Belo Horizonte por permitir que uma aluna transgênero use o banheiro feminino.