27 de maio de 2024
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MANOBRA SUSPEITA

Vereador ignora fracasso e tenta subir mais degraus de poder

Líder do PSD na Câmara defende chapa própria em 2024 e dispara contra si mesmo

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Com admirável determinação, desde 04 de abril de 2022 a prefeita Adriane Lopes (Patriota) vem trabalhando para garantir governabilidade e, assim, responder às demandas novas e acumuladas dos campograndenses. É um esforço que, nestes 10 meses, espelha uma atitude nobre, republicana e estratégica, um compromisso assumido ao substituir o prefeito Marquinhos Trad (PSD), que renunciou à titularidade do cargo para disputar o governo estadual.

Se o projeto de Marquinhos nas urnas resultou em fracasso e levou junto o próprio partido - elegendo somente um deputado estadual, o ex-secretário Pedrossian Neto -, a prefeita não poderia permitir que a gestão da Capital tivesse igual destino. Por isso, separando disputa eleitoral de gestão municipal e de política, mergulhou no desafio de dar a Campo Grande a melhor das atenções, principalmente na agenda de inclusão social.

Esta é uma tarefa que exige muito mais do que a vontade e a fé da gestora. Adriane sabe disso e vem realizando a lição de casa de maneira exemplar, com resultados positivos. Porém, a governabilidade corre seus riscos, ameaçada pelas ambições humanas sem limites, entre elas o desejo incontrolável de fazer da política uma escada interminável de poder.

Um dos degraus dessa forma de escalada é a apropriação de cargos e benesses que possam aumentar a influência política do ambicioso. Outro degrau é imprensar contra a parede, com uma faca no pescoço, quem quer que possa atrapalhar a tresloucada causa. Talvez por causa desse tipo de tentação, o vereador pessedista Júnior Coringa, lider da bancada na Câmara Municipal, decidiu fazer da tribuna um apelo inusitado: defender que em 2024 seu partido lance candidatura própria na sucessão local.

Mais que uma defesa, foi um apelo que pouca gente levou a sério, em função da fria e cruel realidade ignorada pelo líder. Ele quer chapa própria para um partido que saiu das urnas com o lombo doído pela surra violenta dos eleitores, carregando uma candidatura que teve o apoio total do Patriota, agremiação que vem mantendo com o PSD uma parceria sólida e fiel desde 2016, quando se juntaram para eleger e depois reeleger Marquinhos Trad.

Em ambas as ocasiões e gestões, Adriane Lopes foi uma parceira fiel a Marquinhos, sempre dedicada e pronta para encarar todos os desafios à frente do PSD e da administração. E quando assumiu, não deixou a base desta aliança a ver navios, contemplando-a - sobretudo os vereadores - com espaços na estrutura de gestão, preenchidos dentro dos limites legais e sem causar impactos letais nas contas.

SEM LIMITES 

Para o vereador Coringa, entretanto, parece que tais limites inexistem. Ele chega a sugerir dois nomes da galeria partidária para o enfrentamento sucessório: o deputado Pedrossian Neto e o vereador Sílvio Pitu. Com esta proposta, a ideia é encurralar a gestora e supervalorizar o partido que tem a maior bancada na Câmara e já está contemplado em relação proporcional nos quadros da administração.

Não se sabe se a atitude do vereador foi um gesto espontâsneo ou teve um empurrãozinho anônimo, mas convincente. Mas causou perplexidade e estranheza, motivando até comentários irônicos. Um dos colegas comparou: "Ele está trucando sem zap". Ou seja: no jogo de baralho, o zap do truco é como o coringa na canastra, uma carta que possui poderes especiais sobre as outras.

De outro lado, um observador do discurso do pessedista disparou: "Ele está dando um tiro no próprio pé". E teve quem desconfiasse que o líder da bancada estaria querendo ficar sem liderados. Contudo, a definição mais incisiva veio de um simples filiado do PSD: "Não sei o que é pior: perder uma eleição ou praticar a traição".