04 de dezembro de 2020
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Às vésperas da proposta para compra de terras, produtores esperam negociar pelo preço de mercado

Políticos, produtores rurais, advogados e entidades indigenistas como a Funai (Fundação Nacional do Índio) e o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) se reúnem hoje, às 10h em Brasília (DF), com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para receber a proposta do governo federal de compra da fazenda Buriti, em Sidrolândia – distante 70 km de Campo Grande, ocupada pelos índios Terena.

A reunião promete ser o primeiro passo para a resolução dos conflitos no campo em Mato Grosso do Sul. De acordo com o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de MS), Francisco Maia, o hectare vale entre R$ 8 mil a R$ 20 mil, dependendo da finalidade. “A terra usada para agricultura vale cerca de R$ 20 mil, para agropecuária vale um pouco menos”, explicou. Considerando essa variação, a expectativa é que seja oferecido entre R$ 2,4 milhões a R$ 6 milhões pelos 300 hectares da Buriti.

Hoje a União apresenta o resultado dos estudos técnicos sobre a forma de pagamento dessas terras. Após o fracasso na tentativa de uso dos TDAs (Títulos da Dívida Agrária), o ministro da justiça garantiu que o valor será pago em dinheiro. Um as possibilidades é depositar o valor no Fepati (Fundo Estadual de Terras Indígenas) para que o governo estadual repasse o pagamento aos produtores.

O conflito se arrasta há mais de dez anos e foi marcado por tragédias como a morte do índio Oziel, assassinado na última tentativa de restituição de posse da fazenda Buriti. Ambos os lados desejam o fim da disputa o mais breve possível. “Espero cantar aquela música do Chico Mineiro hoje: ‘Fizemos a última viagem’. Já foram dez viagens, eu não aguento mais”, declarou Francisco Maia.

Diana Christie