17 de junho de 2024
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Havaianos ameaçam etapa que pode consagrar Gabriel Medina

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A finalíssima do Campeonato Mundial de Surfe (WCT), que será realizada na tradicional Pipeline, no Havaí, e pode coroar Gabriel Medina como primeiro brasileiro campeão da modalidade, promete ser quente dentro e fora do mar. O motivo: os surfistas locais não gostaram da nova determinação da Associação de Surfistas Profissionais (ASP), que reduziu o número de convidados de oito para dois na prova que decide o título. O Billabong Pipe Masters acontece entre os dias 8 e 20 de dezembro.

Para a última etapa do WCT acontecer em terras havaianas, os locais sempre exigiram certo número de wildcards, convites para participar apenas daquela prova. A medida é comum em todas as provas do campeonato, sempre com dois surfistas da região convidados para integrar a disputa. Só que no Havaí oito atletas da região eram convidados até o ano passado. Em 2014 a ASP decidiu acabar com a “cortesia” aos havaianos e igualou a cota às aplicadas nas demais etapas.

Inconformado com a decisão, Eddie Rothman, um dos líderes mais influentes do localismo havaiano, decidiu se pronunciar por meio de um vídeo na internet, onde atacou a ASP e ameaçou a disputa do Pipe Masters.

“Onde estão as pessoas que costumavam morar em frente às praias? Os brancos vieram e tomaram, mas eles não estão satisfeitos, eles querem a água também. Boa sorte, nós não vamos ceder. E quanto à forma que o surfe funciona aqui, nós não vamos abrir mão. Eles querem cortar o número de havaianos para dois no Pipe Masters! Quer saber? Vocês atiraram essa pedra, deram o primeiro soco, e agora não querem lutar? Vão se f..., serão 16! Quem são vocês para impor suas vontades aqui?”, disse em vídeo gravado no meio da temporada.

Em entrevista exclusiva ao Terra, o diretor da ASP Renato Hickel disse que a organização não vai voltar atrás e que não existe nenhum motivo para o Havaí ser tratado de forma diferente das outras etapas. “As competições no Havaí sempre foram iguais ao restante do mundo. Há oito anos, em um vacilo da representação dos surfistas, eles concordaram em adicionar 16, e depois oito locais. Muitas pessoas eram contra, achávamos que a estrutura do esporte não deveria ser moeda de troca, de barganha. Não existe argumento que me convença do porquê a etapa do Havaí precisa ter mais locais do que as outras”, afirmou.

 “Agora, com nova administração da ASP, decidimos dar um basta. Era uma anomalia para os fãs e para os competidores, que estão em uma etapa crucial. A decisão tomada foi que todas as etapas precisam ter o mesmo formato. Agora é assim”, completou Hickel.

Apesar de a etapa ser a última e com frequência decidir o campeonato mundial, Hickel disse que os convidados nunca atrapalharam a disputa, mas que não estão dispostos a continuar correndo esse risco. “Nunca atrapalhou, mas corre-se um risco que não podemos mais ter. São oito pessoas que não fazem parte do circuito e podem acabar atrapalhando alguém que esteja disputando o título”, finalizou.

Renan Rocha, ex-surfista profissional e hoje comentarista dos canais ESPN, foi um dos brasileiros que chegou mais longe em Pipeline. Para ele, que terminou em terceiro lugar na etapa de 2000, os locais podem sim atrapalhar Medina, mas também consegue ver o outro lado da participação dos havaianos.

 “Medina pode pegar um local surfando em casa, que não tem nada a perder, conhece bem as ondas e isso pode dificultar. Porém, por outro lado, a participação dos nativos faz a comunidade toda se envolver e traz mais qualidade para o torneio, o que deixa melhor para os espectadores”, afirmou em entrevista ao Terra.

 Terra