ELEIÇÕES 2026
A Meta está decidindo o destino do Brasil
Monopólio de redes dos EUA é principal vitorioso nas eleições brasileiras
Há doze anos eu percebo que políticos de extrema direita não precisam trabalhar efetivamente em prol do povo para receber elogios ou ganhar apoiadores. Esse grupo, porém, trabalha diariamente produzindo vídeos de toda ordem e peças escritas para as redes.
Ser um bom digital influencer virou a única atribuição positiva que um candidato de extrema direita deve ter. Ele deve produzir incessantemente conteúdos ideologizados, que a Meta entrega.
O vasto material, simples e direto, é entregue nos celulares das pessoas.
Para se ter uma ideia, trago os dados de 2025, que revelam que o Brasil tinha cerca de 185 milhões de usuários de internet, equivalente a 86,9% da população.
Sendo assim, aproximadamente 28 milhões de pessoas ainda estavam fora da internet. Curiosamente, esse número quase equivale ao montante de abstenções das urnas eletrônicas registradas no 1º turno de ontem (4 de outubro).
Nessa rodada, o extremista de direita Flávio Bolsonaro também, curiosamente, obteve 47,03% dos votos. Isso é: 56,1 milhões de votos.
Já o presidente Lula, que representa o lado progressista a favor da democracia, obteve 53,8 milhões de votos (45,16%).
A vantagem de Flávio é de 2,2 milhões.
E essas pessoas são, em grande maioria, jovens que votaram nele por influência da família, mas principalmente das redes sociais. Nenhum desses jovens, absolutamente nenhum, sabe dizer sequer qual projeto Flávio tem para o Brasil. As redes os ensinaram a reproduzir hashtags: #contraocomunismo #contraopt #foralula #ptnuncamais e a mais repetida, que geralmente usam como se fosse uma ofensa: respondem a qualquer argumentação com “você é #petista”.
No ano passado, o Brasil contava com cerca de 150 milhões de identidades de usuários, equivalentes a 70,4% da população, nas redes sociais.
A divisão está assim:
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Instagram: alcance publicitário equivalente a 87,3% dos brasileiros com 18 anos ou mais;
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YouTube: cerca de 81,1% dos usuários brasileiros de internet;
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Facebook: cerca de 67,1% dos adultos;
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TikTok: ferramentas publicitárias indicavam 131 milhões de usuários adultos no fim de 2025.
Todas essas redes pertencem à Meta Platforms, Inc., empresa de tecnologia fundada pelo extremista de direita Mark Zuckerberg.
Zuckerberg é um homem próximo de Donald Trump. A Meta doou US$ 1 milhão para a cerimônia de posse de Trump.
Outra figura da extrema direita que está no Conselho da Meta é Joel Kaplan, oriundo do governo George W. Bush — aquele presidente que começou a guerra contra o Iraque —, no comando de sua área de assuntos globais, e Dana White, aliado de Trump, no conselho da empresa.
Ou seja, a Meta é um monopólio de redes sociais que atua diretamente na entrega de conteúdos de extrema direita, convencendo o povo cotidianamente.
CRÔNICA DA 'ESTRATÉGIA DIÁRIA'
Para deixar essa conversa mais palpável, eu trago dois exemplos:
Um idoso que tem uma proximidade íntima comigo, religiosamente, todos os dias escuta um programa no YouTube, em que uma figura sem qualquer formação em comunicação se apresenta como jornalista e alega que o Brasil está à beira de entrar no mapa do comunismo. Esse programa é produzido diariamente há 4 anos. E todos os dias, o referido idoso é manipulado pelo pseudo-comunicador com uma espécie de terrorismo digital. O idoso é incentivado a não ouvir outros programas, pois estes estão “comprados pela esquerda”; ele é incentivado a explicar isso à sua família e assim o faz, todos os dias.
Outro exemplo é de um jovem negro com o qual jogo bola. Ele mora em um prédio do Minha Casa, Minha Vida, numa região asfaltada com boa infraestrutura. Fez sua formação em escola pública. Ele tem 19 anos. Sempre que podemos, conversamos sobre política. Ele explicou que vota no Flávio porque não é petista. Porque o PT não quer sua liberdade e que pode tomar sua casa (oferecida pelo programa criado pelo PT). Certo dia, ele me disse que votaria em qualquer um que fosse contra o PT.
CÂMARA NAS MÃOS DA META
Então, o que as redes sociais estão fazendo é corroer a democracia por dentro. A Meta de extrema direita entendeu que não daria para fazer isso de forma escancarada, então faz de maneira continuada, porém efetiva, ao longo de anos.
Prova disso é que os candidatos mais votados do Brasil não são nem mesmo políticos de qualidade média qualidade. Eles são, na verdade, especialistas em redes sociais. Posso citar o exemplo de dois homens brancos e jovens que foram os candidatos a deputados federais mais votados do Brasil:
- Nikolas Ferreira (PL-MG) — 3.119.318 votos
- Lucas Pavanato (PL-SP) — 3.038.438 votos
E a prova concreta de que a Meta é a máquina de votos nas eleições de 2026 não é que ela elegeu candidatos de outras áreas para disfarçar sua interferência, mas que nenhum desses candidatos deveria estar dentro das hashtags propagadas. Nesse sentido, duas mulheres do PSOL que performam bem nas redes também ficaram no top cinco das mais votadas, sendo:
- Erika Hilton (PSOL-SP) — 1.596.472 votos
- Sâmia Bomfim (PSOL-SP) — 583.107 votos
A grande maioria dos candidatos eleitos para a Casa Baixa, porém, é de extrema direita.
SENADO NAS MÃOS DA META
No Senado brasileiro, a interferência da Meta na decisão está mais escancarada. A empresa norte-americana levou 19 novos extremistas de direita à Casa Alta, onde se julgam leis, inclusive aquelas que implicam a própria empresa.
Entre os eleitos estão Carlos Bolsonaro (PL-SC), com 2.041.840 votos; Gustavo Gayer (PL-GO), com 1.639.105; Filipe Barros (PL-PR), com 3.148.406; Carlos Jordy (PL-RJ), com 3.912.405; e Carol de Toni (PL-SC), com 2.694.918 votos.
Em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) foi o senador mais votado do país, com 13.272.618 votos, seguido por André do Prado (PL), com 12.701.837.
A lista segue com um total de zero candidatos progressistas. A Meta pode conseguir, com isso, enterrar o projeto de regulamentação das redes e, diante dessa nova composição no Senado, também poderá haver uma mudança na relação do Brasil com os meios de pagamento e com o próprio PIX, inclusive sob influência dos interesses de empresas financeiras norte-americanas. Essa é uma medida que irá se desenrolar em pouco tempo, independentemente de quem vença para presidente, pois a vitória da Meta foi ter o senado brasileiro nas mãos.
Além disso, essa composição do Legislativo poderá permitir à Meta pressionar ou buscar afastar qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal que interfira nos interesses relacionados ao projeto de recuperação econômica norte-americano.
