19 de maio de 2024
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POVOS ORIGINÁRIOS

Diálogo: indígenas liberam maquinários e colheita de soja

Deputado federal Vander Loubet intermediou negociação

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O deputado federal Vander Loubet (PT), conseguiu, neste sábado (11.mar.23), a liberação dos maquinários e a permissão da colheita de soja, na fazenda Inho, em Rio Brilhante (MS). A propriedade está ocupada por cerca de 70 indígenas Guarani-Kaiowá, desde 8 de março. Eles reivindicam a demarcação do local, que está sobre a Terra Indígena (TI) Brilhantepagua. 

Por meio de uma conversa com lideranças indígenas nesta manhã, Vander conseguiu que eles liberassem os maquinários do preodutor rural José Raul das Neves Junior, que estavam retidos em um galpão da fazenda. As lideranãs também autorizaram que José conclua a colheita de soja na fazenda de quase 400 hectares.  

Num vídeo enviado a reportagem, Vander explica que o diálogo é melhior caminho para resolver esse tipo de situação. Eis:  

Imagens adicionais mostram os maquinários trabalhando, mostrando que os indígenas estão cumprindo o que foi acordado com o deputado. Eis:  

Mais cedo, mostramos aqui no MS Notícias, que o deputado estava no local juntamente com Marco Antônio Delfino, membro do Ministério Público Federal (MPF). Também haviam equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na fazenda.  

A OCUPAÇÃO 

 

Em um intervalo de 5 dias neste mês de março de 2023, aproximadamente 70 indígenas ocuparam a fazenda Inho. A ação foi batizada de Yvyrapygue (raiz de árvore).

Em primeiro momento, em 3 de março, os indígenas foram reprimidos sem mandado judicial, Polícia Militar (PMsul-mato-grossense. Um vídeo mostra a ação os militares. Eis: 

Na ocasião, três lideranças foram presas pelas forças de segurança do estado, como mostramos aqui no MS Notícias. "Essa cena é a simbologia do que os indígenas estão vivendo há muito tempo. Esse foi o sexto ataque ilegal, sem nenhuma ordem de reintegração de posse", criticou Matias Hampel, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Em seguida, tiveram uma vitória judicial pelo avanço do processo demarcatório — a juíza Monique Rafaele Antunes Krieger determinou o avanço no processo de demarcação. "Essa fazenda, por mais de uma década, infringe aos indígenas coisas terríveis. Despejos químicos, uso de armas de guerra, diga-se de passagem, destruição de roças, fome, impedimento de ir e vir, ameaças", denunciou Matias Hampel.

"A gente tem convicção que o que os indígenas estão pleiteando com essa retomada, colocando a própria vida em risco", afirma o coordenador do Cimi no MS, "é a consolidação de um direito inalienável para a sobrevivência física e cultural desse povo, que é o acesso à terra".

Indígenas retomaram ocupação na fazenda Inho, sobreposta ao território indígena em Rio Brilhante. Foto: Reprodução

Na 4ª.feira (8.mar.23), eles retomaram a ocupação à sede da fazenda. "Aqui é território indígena. Hoje estamos na sede [da fazenda]. A comunidade decidiu ocupar o seu território definitivamente. Não vamos abrir mão daquilo que já retomamos", afirma Simão Kumuni, integrante da Aty Guasu (Grande Assembleia Guarani e Kaiowá). Desde a 5ª.feira (9.mar), os indígenas estão trabalhando na construção de uma casa de reza no local.