20 de junho de 2021
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Após lucro de R$ 5 bilhões, Itaú retoma reclamações

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Durante a campanha eleitoral, debaixo de cobranças de diversas frentes por um aumento no preço dos combustíveis, o ministro da Fazenda, Guido Fazenda, e a presidente reeleita Dilma Rousseff (PT), na condição de candidata à reeleição, deram a mesma resposta: até o final do ano, a exemplo do que ocorreu em anos anteriores, o reajuste seria dado. Agora, um dia após o anúncio da Petrobras de que os preços da gasolina e do óleo diesel subirão, respectivamente, 3% e 5% para os distribuidores, quem cobrava passou a criticar a medida pedida e atendida.

Nesse rol, em particular, se sobressai na crítica o banco Itaú BBA – braço de investimentos da instituição das família Setubal. Em relatório ao mercado, o Itaú considera que a Petrobras não tem uma política "transparente" para preços dos combustíveis – apesar de o governo estar praticando, a cada final de ano, um índice de reajuste. Por esta e outras razão, prega o relatório um castigo à estatal, que deveria ter o preço de suas ações rebaixado para compra e venda.

- Na ausência de uma política de preços transparente e dos níveis de endividamento, a Petrobras merece ser negociada com desconto em relação a seus pares a despeito do aumento de produção, escreveu, em estilo bastante direto e reto, a analista Paula Kovarsky. Como resultado, o Itaú rebaixo o preço-alvo da ações da estatal, orientando o mercado a pagar menos pelos papéis da companhia.

O contexto de mais essa crítica do Itaú é dos mais interessantes. Dois dias atrás, o banco presidido por Roberto Setubal apresentou o maior lucro líquido entre todas as instituições financeiras do País, chegando a R$ 5,4 bilhões apenas no 3º trimestre deste ano. Um resultado obtido à maior seletividade no crédito e ao aumento da próprias tarifas sobre os clientes.

Com este número reluzente, o Itaú poderá pagar fortunas em dividendos aos seus acionistas. Para ficar apenas na herdeira da instituição, Neca Setubal, dona de parte da Itausa, a holding que controla o banco e os negócios a ele ligados, a conta é de um rendimento, apenas este ano, de cerca de R$ 14 milhões. O cálculo foi feito pela renomada consultoria Economatica.

Mesmo Neca, porém, continua sem encontrar motivo para comemorar. Depois de ter feito o papel de braço direito da candidata Marina Silva durante a eleição presidencial, ela continua fiel escudeira da ex-senadora. Em sua página no Facebook, ontem, Neca manifestou seu descontentamento com a política econômica reproduzindo artigo de Marina com críticas aos movimentos pós-eleitorais do governo.

É franqueado a todos reclamar da situação. Inclusive aos que estão, como diz o dito popular, chorando de barriga cheia. Ocorre, nesses casos, de o choro não ser levado a sério.

Karla Machado com Brasil 247