20 de setembro de 2020
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Audiência do caso Amarildo será retomada hoje

Será retomada a partir das 13h desta quarta-feira, na 35ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a audiência de instrução e julgamento do caso envolvendo a tortura e desaparecimento do auxiliar de pedreiro Amarildo de Souza, em julho do ano passado, na favela da Rocinha. Vinte e cinco policiais que atuavam na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da maior comunidade do País, incluindo o comandante da unidade na ocasião, o major Edson Santos, voltarão a sentar no banco do réus para responder pelas acusações de tortura, ocultação de cadáver, fraude processual, omissão imprópria e formação de quadrilha. Somadas, as penas podem chegar a 33 anos de reclusão, dependendo do envolvimento de cada um no caso. A primeira testemunha a ser ouvida no julgamento, iniciado no mês passado, foi o delegado titular da Delegacia de Homicídios, Rivaldo Barbosa, que comandou a investigação. Segundo ele, a princípio o inquérito apontava que Amarildo foi morto por um traficante, mas depois o caso mudou de figura.  "A ação dos policiais foi manobra ardilosa para imputar a terceiros a tortura contra Amarildo", afirmou Rivaldo. O delegado disse ainda que os depoimentos eram incongruentes, pois todos tinham a mesma versão. Segundo ele, a polícia percebeu que o major Edson Santos, comandante da UPP na época, pressionava os PMs a fazer isso. A Polícia Civil, segundo Rivaldo, precisou recorrer à Corregedoria da Polícia Militar para colher os depoimentos dos PMs, já que o major demorava muito a liberar os policiais para ir a delegacia. Segundo ele, era perceptível o medo que os policiais tinham de falar e a polícia descobriu que Amarildo havia sido torturado através de conversas informais. A segunda testemunha de acusação a ser ouvida na ocasião foi a delegada assistente da Delegacia de Homicídios, Ellen Souto, que sustentou a versão de que os policiais da UPP da Rocinha envolvidos no caso compraram fraldas, deram dinheiro e chegaram até a prometer casas para que os moradores da comunidade sustentassem a versão de que Amarildo teria sido morto por traficantes que atuam na favela. Por fim, também foi ouvido o policial civil Rafael Rangel, que deu detalhes técnicos acerca do trabalho de perícia realizado pela corporação na investigação do sumiço de Amarildo. Está prevista também o depoimento da viúva do auxiliar de pedreiro, Elizabeth Gomes da Silva - que na primeira audiência ficou frente a frente com os policiais pela primeira vez desde o desaparecimento do marido. Terra