Os cinco biomas brasileiros registraram redução no desmatamento nos últimos dois anos. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam queda média de 20% na perda de vegetação nativa.
O recuo aparece na Amazônia, no Pantanal, no Cerrado, no Pampa e na Caatinga, embora em proporções diferentes.
Para o deputado federal Vander Loubet, candidato do PT ao Senado, o resultado também está relacionado à retomada da valorização da ciência no país.
"Isto significa, entre outras coisas, que a ciência voltou a ser valorizada. O Brasil que aposta na ciência está funcionando, apesar de ainda sofrer as consequências do desmanche que as bases científicas nacionais haviam sofrido", afirmou o deputado federal Vander Loubet, candidato do PT a senador.
O parlamentar citou o trabalho de meteorologistas e pesquisadores que acompanham as condições climáticas e ambientais no país. Em Mato Grosso do Sul, ele destacou profissionais envolvidos no monitoramento do tempo e na produção de informações utilizadas para prevenção e resposta a eventos extremos.
Entre os exemplos mencionados estão os vendavais registrados no Sul do Brasil e a possibilidade de agravamento dos efeitos do El Niño no fim deste ano.
Vander também citou uma reunião realizada pela Agência de Regulação de Mato Grosso do Sul (Agems), que reuniu mais de 20 instituições para discutir possíveis impactos do fenômeno climático.
"Tivemos há alguns dias uma intervenção importante do Estado, por meio da Agência de Regulação [Agems], que reuniu na Sala de Guerra mais de 20 instituições públicas, militares e civis, debatendo impactos do El Niño, com a presença da doutora Ana Paula Paes, uma das maiores especialistas em ciências climáticas. É assim que se valoriza não só a ciência, mas todas as formas de vida que clamam por defesa e prevenção".
Na avaliação do deputado, o trabalho de monitoramento depende tanto da produção científica quanto da capacidade do poder público de transformar alertas em medidas de prevenção.
Ele também mencionou nomes ligados à pesquisa e à gestão ambiental no país, entre eles Antonio Vieira Monteiro, do Inpe, Mauro Pires, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e o cientista Ricardo Galvão.
Em Mato Grosso do Sul, Vander citou o meteorologista Natálio Abrahão, que acumula 55 anos de atuação e é conhecido como "pai do tempo".
Também foram lembrados Valesca Fernandes, do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), e Vinícius Sperling, integrante da equipe técnica da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
Outro nome citado foi o sul-mato-grossense Nano Jurgielewicz, que ocupa função no Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O órgão atua no acompanhamento das condições meteorológicas e na emissão de informações utilizadas no monitoramento de eventos capazes de provocar impactos à população.
QUEDA MAIOR NO PANTANAL
Entre os cinco biomas analisados pelo Inpe, o Pantanal apresentou a maior redução proporcional do desmatamento.
A queda chegou a 65,4%. O Pampa aparece em seguida, com redução de 41,7%, enquanto a Caatinga registrou recuo de 34,3%.
Na Amazônia, a diminuição foi de 15,8%. O Cerrado teve queda de 7,8%.
Os números são usados por Vander para defender a continuidade de investimentos em pesquisa, monitoramento e políticas de preservação ambiental.
"A ciência é o meio mais poderoso da humanidade para enfrentar a crise climática", enfatizou Vander.
O deputado, porém, afirma que a redução do desmatamento não encerra os desafios ambientais.
Segundo ele, ações de fiscalização precisam ocorrer junto a outras medidas capazes de reduzir diferentes formas de pressão sobre os biomas.
"Não basta combater incêndios e o desmatamento sem coibir outras ameaças, como a garimpagem ilegal e a expansão agrícola desordenada, sem zoneamento, sem garantias de sustentabilidade. Podemos invetir em energias renováveis, eliminar sistematicamente os gases estufa da atmosfera, planejar e desenvolver áreas urbanas que absorvam o excesso de chuvas", conclui.











