A gestão de Sérgio Longen na Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (FIEMS) foi acusada pela deputada federal Camila Jara (PT) de machismo e sexismo durante agenda na 5ª feira (30.jul.26), na sede da entidade na Capital sul-mato-grossense, na ocasião da visita dos ministros George Santoro (Transportes) e Dario Durigan (Fazenda).
Segundo Camila, mesmo após ter sido convidada pelo próprio Durigan para acompanhar a agenda, foi impedida pela FIEMS de seguir no compromisso.
"É assim que eles tratam as mulheres parlamentares. Barradas no evento que elas foram convidadas pelo ministro da Fazenda. Uma instituição sexista, uma instituição machista e que não sabe dialogar com os diversos setores", declarou a deputada.
(30.jul.26) - FIEMS chefiada por Sérgio Longen (ao microfone), barrou atividade de mandato de Camila Jara (PT). Foto: Tero QueirozPara Camila, a entidade chefiada por Logen apenas passa a imagem de que é democrática, mas a realidade é que não é.
"Na hora da participação, barram quem deveria participar dos eventos", denunciou a parlamentar.
Além dela, a senadora Soraya Thronicke (PSB) estava no evento e teria sido submetida a mesma situação. Confira o vídeo da deputada Camila:
GOVERNO DE CAMILA "SALVOU MS"
(30.jul.26) - A estratégia de Sérgio Longen pode ter sido evitar que Camila Jara se comunicasse com os empresários, já que uma das principais virtudes da deputada é a facilidade com que consegue se fazer entender. Foto: Tero QueirozQue todo homem é machista, isso é fato. Entretanto, a movimentação de Longen também pode ter sido uma estratégia para retirar da mesa com os empresários uma das principais vozes do governo Lula na bancada federal de Mato Grosso do Sul.
Era justamente a parlamentar da base governista que poderia defender diante dos empresários a principal pauta da visita de Dario Durigan: o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Criado pelo governo federal, o programa permitiu a renegociação de aproximadamente R$ 7,7 bilhões da dívida de Mato Grosso do Sul com a União.
Os números ajudam a explicar a importância da agenda.
Estimativas do Tesouro Nacional apontam que, com a adesão ao Propag, Mato Grosso do Sul deixará de desembolsar cerca de R$ 3,2 bilhões ao longo dos próximos 30 anos, o equivalente a aproximadamente 41% do saldo renegociado.
(30.jul.26) - Apesar de a deputada federal ter sido convidada para integrar a agenda, Dario Durigan parece não ter se envolvido quando a FIEMS barrou a participação da parlamentar. Foto: Tero Queiroz.Além de alongar o pagamento da dívida para até 360 meses, o programa reduz os encargos financeiros e cria condições para que parte dos recursos antes consumidos pelo serviço da dívida seja direcionada a investimentos. Pela legislação do Propag, os estados aderentes passam a ter mais capacidade para aplicar recursos em infraestrutura, transporte, segurança pública, saneamento, habitação, educação profissional e outras áreas estratégicas, respeitadas as regras do programa.
Somente em 2026, a economia prevista é de R$ 240,68 milhões.
Já nos primeiros cinco anos, a redução do serviço da dívida chega a R$ 1,19 bilhão.
Em 10 anos, o alívio financeiro projetado é de R$ 2,17 bilhões.
Antes do Propag, a dívida era corrigida por inflação mais encargos que chegavam a cerca de 6,5% ao ano. Com a adesão, Mato Grosso do Sul passou a pagar IPCA + juros reais de 0%, desde que cumpra as contrapartidas previstas na lei.
(30.jul.26) - A senadora Soraya Tronicke também teria sido impedida de seguir na agenda devido à negativa da FIEMS, presidida por Sérgio Longen. Mas, mesmo antes disso, durante a coletiva, ninguém aparentava estar de bom humor. Foto: Tero QueirozE talvez tenha sido essa explicação que Longen tenha evitado que Camila levasse aos empresários, que assim iriam ficar sabendo que o alívio financeiro estadual tem o carimbo do presidente Lula.
O CARIMBO SÉRGIO LONGEN
(30.jul.26) - Sérgio Longen (ao microfone) é conhecido por estar relacionado a diversos escândalos e suspeitas à frente da FIEMS. Foto: Tero QueirozSérgio Longen está à frente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS) desde 2011 e permanecerá no comando da entidade até 2027. Diferente do presidente Lula, que acumula realizações em prol do povo, sob o comando de Longen, nos últimos meses, a FIEMS passou a ocupar espaço não apenas no noticiário econômico, mas também nas páginas policiais e políticas.
Uma das frentes de desgaste envolve recursos públicos.
O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) anunciou que pretende acionar a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o Tribunal Regional Eleitoral para apurar o repasse de R$ 7 milhões realizado pelo então secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, à FIEMS.
A origem, a finalidade e a aplicação dos recursos passaram a ser questionadas por parlamentares.
O caso também mobilizou a bancada do PT na Assembleia Legislativa.
Os deputados Zeca do PT, Gleice Jane e Pedro Kemp articulam a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos da federação. Entre os focos estão contratações que já despertaram a atenção do Ministério Público Estadual por suspeitas relacionadas a processos licitatórios.
(30.jul.26) - Apesar de receber os ministros de Lula na Capital, Longen pareceu querer esconder os benefícios das medidas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para evitar criar contraste com sua gestão à frente da FIEMS. Foto: Tero QueirozAs suspeitas não ficaram restritas ao Parlamento.
Uma série de reportagens investigativas do Jornal Midiamax revelou denúncias envolvendo contratos milionários de tecnologia firmados pelo Sistema FIEMS. Entre elas, a utilização de suposto atestado de capacidade técnica falso para vencer uma licitação de R$ 1,6 milhão do Senai-MS, empresas apontadas por denunciantes como integrantes de uma rede de CNPJs ligada a dirigentes da Federação e contratos que, segundo as reportagens, teriam levantado suspeitas de superfaturamento.
As reportagens também apontam que a Acto Soluções em Tecnologia faturou mais de R$ 7,6 milhões em contratos com o Sistema FIEMS entre 2021 e 2022. Posteriormente, segundo a investigação jornalística, parte desses contratos passou a ser executada por outra empresa criada por ex-integrantes da própria Acto.
Outro episódio citado envolve a manutenção de e-mail institucional da FIEMS por um sócio de empresa contratada, além de questionamentos sobre atestados técnicos utilizados em licitações e a inabilitação da Acto em processo conduzido pelo Senar-MS por insuficiência na comprovação da capacidade técnica exigida no certame.
A FIEMS, o Senai-MS e os empresários citados foram procurados pelo Midiamax ao longo da série de reportagens. Conforme registrado pelo próprio veículo, parte dos envolvidos negou irregularidades, enquanto outros não responderam aos questionamentos, permanecendo o espaço aberto para manifestação.
Então, esse parece ser o carimbo Longen de uma gestão que, além de acumular questionamentos envolvendo contratos e recursos, agora enfrenta também a acusação de ser contra a presença de mulheres em espaços que elas conquistaram.











