02 de maro de 2021
Campo Grande 33º 21º

Contas no vermelho, cortes não são suficientes e déficit é o pior em 19 anos.

Contas do governo central continua no vermelho e o acumulado do ano chega a R$ 14 bi.

Apesar do Governo Federal afirmar que os cortes nos gastos públicos estão sendo feitos "na carne", o déficit do mês de agosto alcança o patamar de R$ 5,08 bilhões. No acumulado de oito meses, o saldo negativo chega a R$ 14,01 bilhões sem contar o juros da dívida pública, números apresentados nesta terça-feira (29)  pela Secretaria do Tesouro Nacional.

Quando as receitas ( tudo que o governo arrecada) são menores que as despesas ( contas à pagar), o governo central (formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) mostra um claro desequilíbrio em seu orçamento, forçado pela crise econômica, cuja recessão puxa as contas do governo para baixo pela perda de arrecadação, que teve seu pior desempenho desde 2010. "A performance da receita está claramente atrelada à atividade econômica e, dado o grau de incerteza, está per formando um pouco abaixo do esperado", disse o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive.

Segundo dados, o Tesouro Nacional não apresentava um déficit tão agressivo desde 1997, quando naquele ano apresentou um superávit de R$ 4,59 bilhões nos cofres públicos. No mesmo período do ano passado, tiveram um superávit de R$ 4,69 bilhões. E acompanhando a projeção nas contas públicas, o PIB (Produto Interno Bruto - soma das riquezas produzidas no Brasil) também teve um crescimento de 0,13% em 2014 e queda de -0,37% em 2015, no acumulado do ano (período de janeiro a agosto).

O agravo nas contas do governo também se dá pela perda de dividendos - lucro da União sobre as estatais  que era de R$ 17,59 bilhões no ano passado e agora recebeu cerca de R$  5,49 bilhões - e no repasse de valores dos estados e municípios, que retraiu em R$803,6 milhões.

Mesmo sob o fracasso da equipe econômica não ter conseguido economizar nenhum centavo para o pagamento da dívida pública pelo quarto mês consecutivo, o secretário do Tesouro Nacional afirma que o "governo tem de fato cortado na carne. Tem buscado fazer os contingenciamentos necessários, incentivando os ministérios a fazer o reescalonamento dos contratos. Esse corte vem havendo a despeito do pagamento de subsídios que estamos fazendo neste ano."