27 de maio de 2024
Campo Grande 13ºC

INTERNACIONAL

Vídeo: ex-deputado e irmão são assassinados ao vivo na TV

Ataque com índole racista

A- A+

O ex-deputado idiano Atiq Ahmed e seu irmão Ashraf Ahmed, foram assassinados a tiros na noite do sábado (15.abr.23), quando conversavam com jornalistas a caminho de um check-up médico em um hospital em Prayagraj, também conhecida como Allahabad (metrópole no estado indiano de Uttar Pradesh). 

Eles estavam algemados, pois eram investigados por homimcídio, com condenações desde 2019.

Dias antes, o filho adolescente de Atiq havia sido assassinado pela polícia indiana. O ex-político já havia denunciado que vinha sofrendo ameaça de policiais, com cunho racista, por ser islamita.  

Na filmagem, amplamente compartilhada nas redes sociais e canais de TV, Ahmed é questionado se ele compareceu ao funeral de seu filho. Suas últimas palavras para a câmera são: "Eles não nos levaram, então não fomos."

Atiq foi deputado estadual durante quatro mandatos e deputado federal em 2004. Veja o momento do assassinato abaixo. ATENÇÃO: as imagens são fortes:  

Segundo a polícia, três homens se passaram por jornalistas para execução do crime. 

Os detalhes apontam para um ataque com índole racista, já que as autoridades contam que os homens entoaram cânticos nacionalistas hindus, usados de forma islamofóbica contra a minoria muçulmana na Índia.

"Eles conseguiram aproximar-se de Atiq e do seu irmão com o pretexto de gravar uma entrevista, e dispararam a curto alcance. Ambos sofreram ferimentos na cabeça", explicou um polícia, acrescentando que "tudo aconteceu em segundos".

A região onde ocorreu o ataque, o estado de Uttar Pradesh, é governado pelo partido nacionalista Bhartiya Janata, o mesmo partido do primeiro-ministro, Narendra Modi, que tem sido acusado há vários anos pelas suas políticas extremamente islamofóbicas e de repressão contra a população islâmica — com a propaganda levada a cabo pelo Governo a resultar, muitas vezes, em massacres racistas.

O ataque deste sábado ocorreu apenas dois dias depois de o filho de Atiq Ahmad, um adolescente, ter sido morto pela polícia num tiroteio, sendo que as autoridades argumentam que o jovem era acusado de homicídio.