06 de maro de 2021
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Campo Grande amarga início de 2016 com duas mortes por dengue

Campo Grande iniciou o ano de 2016 com duas mortes que estão sob suspeita de dengue. O óbito de uma menina de oito anos ocorrido na terça-feira (12) está sendo investigado, conforme Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Maria Fernanda Amarilha Pereira morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Almeida com suspeita de dengue, porém relatório da Sesau aponta diagnostico de cardiopatia congênita, o que é contestado por familiares da menina. De acordo com familiares de Maria Fernanda, a criança foi levada para a UPA no domingo (10), saindo de lá na segunda-feira (11) e voltou a passar mal. Conforme familiares, Maria Fernanda foi novamente encaminhada para UPA na segunda-feira a noite.

A morte da estudante Karolina Ribeiro Soares Rodrigues, 16 anos, que faleceu na quarta-feira (13) também está sendo investigada. A estudante passou por duas consultas no Centro Regional de Saúde do Bairro Coophavilla, antes de ser internada no Hospital Regional Maria Aparecida Pedrossian. De acordo com Sesau, a estudante recebeu procedimento padrão para casos suspeitos de dengue, sendo liberada em seguida. Contudo, a estudante voltou a passar mal e encaminhada para o HR, às 9 horas, com dores nas costas. Em 15 minutos, a estudante sofreu uma parada respiratória e foi encaminhada para o Centro de Terapia Intensiva (CTI). Karolina Ribeiro Soares Rodrigues foi reanimada por duas horas, mas não resistiu e morreu. Nos dois casos as famílias questionam negligência no atendimento das unidades de saúde do município.

Casos Zica

Além da dengue, esta semana a Sesau confirmou, segundo caso de Zica Vírus em gestante. O caso foi notificado pela Unidade de Pronto Atendimento da Vila Almeida na terça-feira (12) após exames realizados no Instituto Osvaldo Cruz.

O primeiro caso foi constatado no distrito de Anhanduí, em paciente de 21 anos nas primeiras semanas de gestação. Depois disso outros dois casos foram confirmados e, na última segunda-feira (11) mais dois casos, entre eles uma gestante.

Falta de medicamentos

Desde o retorno do prefeito Alcides Bernal para Prefeitura Municipal de Campo Grande, em 27 de agosto de 2015, população reclama falta de medicamentos nas unidades de saúde do município. Em dezembro, após denúncias enviadas ao MS Noticias sobre falta de medicamentos, bem como baixa de estoque nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde (UBS), a Secretaria de Saúde de Campo Grande seria resolvido o problema.

Segundo Ivandro Fonseca, a Coordenadoria da Assistência Farmacêutica (CAF) tem tentado amenizar os desfalques nas medicações por meio de remanejamento de remédios entre as unidades, priorizando os postos 24 horas e as unidades básicas com maior demanda.

Ultimato

O juiz da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da Capital, Marcelo Ivo de Oliveira determinou que a Prefeitura Municipal de Campo Grande efetue, no prazo de 30 dias, limpeza de terrenos e imóveis urbanos, ocupados ou não,  onde há maior incidência do mosquito Aedes Aegypti.

Na liminar, o magistrado também determina que o Município crie Disque Dengue com número de telefone exclusivo, com funcionários treinados e equipamentos necessários para atendimento eficiente da fiscalização, com expedição de protocolo e acompanhamento da denúncia. Além do Disque-Dengue, Município terá ainda de disponibilizar  canal direto de comunicação  para reclamações, especialmente por meio eletrônico a ser veiculado no site da Prefeitura. A decisão atende Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul (MPE/MS), em setembro de 2015. Na ação, MPE alega negligência de proprietários de imóveis onde há incidência, conforme MPE, de criadouros de vetores transmissíveis  de doenças como dengue, leishmaniose, leptospirose e chikunguya.