24 de junho de 2021
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Olarte pede compreensão de professores, mas mantém proposta de pagamento parcelado

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O prefeito de Campo Grande Gilmar Olarte (PP) depois de fazer pouco caso sobre a greve dos professores tenta se redimir. Há poucos minutos, depois de participar de uma agenda pública no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), Olarte disse estar ao lado dos professores, mas garantiu não ter condições de pagá-los integralmente e justificou a falta de pagamento do reajuste salarial devido aos débitos herdados do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP).

"Quero deixar claro que estou ao lado dos professores, não os paguei ainda porque não tenho recursos", disse. O prefeito também afirmou que espera poder contar com a compreensão dos professores e acredita que a categoria irá aceitar sua proposta de pagar o reajuste de 8,46%, que deveria ter sido repassado em outubro, em sete parcelas. Olarte se diz confiante na aprovação da proposta uma vez que, segundo ele, o assunto foi definido junto com professores e vereadores em reunião no ultimo sábado. "Esa proposta veio de um consenso, espero que os professores sejam sensíveis a isso, a prefeitura está com dívidas, herdei R$ 300 milhões de dívidas do Bernal, mas vamos fechar o ano azul. Espero que os professores aceitem essa proposta, pois se não for assim não tem como pagar", disse Olarte.

O prefeito tem se mostrado relutante em negociar ou buscar qualquer alternativa para garantir o pagamento, o que tem irritado os professores, que conforme nota, não estão de forma alguma em consenso com proposta do prefeito.  De acordo com a nota emitida há pouco pela ACP (Sindicato dos Profissionais da Educação Campo-Grandense), Olarte está se recusando a cumprir seu papel que é aplicar a lei n° 5.189 de 2013 e tenta convencer a população de que os professores não precisam ou merecem este reajuste divulgando na imprensa o valor do salário sob afirmação de que os educadores já recebem mais do que a média nacional. Os professores também criticaram Olarte por evitar diálogo com categoria, e optar por comparecer em programas de televisão dizendo que não há crise e exigem o pagamento imediato do reajuste.

Segundo presidente da ACP, Geraldo Gonçalves, Olarte está descumprindo seu papel e não honrou o compromisso firmado com  categoria. Geraldo também pediu aos pais de alunos da Reme que compreendam a situação e entendam que "os professores assim como eles são trabalhadores que lutam por melhores condições de trabalho."

Diante deste panorama, tudo indica que a greve irá continuar, e com isso perde a população, os pais e as crianças. A todo, são cerca de 96 mil alunos da Reme que estão sem aula. Apenas os Ceinfs (Centro de Educação Infantil) estão abertos, mas o atendimento às crianças de zero a cinco anos tem sido realizado por recreadores.

Heloísa Lazarini, Tayná Biazus e Leide Laura Meneses