28 de setembro de 2020
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Caso Bernal: PT se limita "a questão de honra", mas reverbera insatisfação com Bernal

Independentemente de como votar na sessão que pode cassar o mandato de Alcides Bernal (PP),  a bancada do PT na Câmara Municipal de Campo Grande não esconde o sentimento de decepção de todo o partido com a postura e as ações que o prefeito adotou logo após vencer as eleições. Os vereadores petistas não fogem à regra avaliadora que passou a vigorar entre as principais expressões representativas da legenda, como o senador Delcídio Amaral, o vereador e ex-governador Zeca do PT e os deputados federais Vander Loubet e Antonio Carlos Biffi, além da bancada estadual. Todos entendem que Bernal cavou seu próprio buraco político ao isolar-se do processo de ampla articulação que sua base de apoio tentou montar. Em uma Câmara de Vereadores com 29 integrantes, mais de dois terços eleitos por partidos de oposição a Bernal, seria lógico e natural que o prefeito recorresse ao auxílio de seus apoiadores de primeira hora. Não quis. Recusou-se a discutir com amplitude junto aos aliados a composição de sua equipe e abortou todas as tentativas de articulação institucional e política com a Câmara. Da mesma forma, não se preocupou em montar uma base de formulação da estratégia de governo. Com isso, ficou sem um núcleo de inteligência política que, no mínimo, poderia antecipar e até prevenir riscos e desgastes desnecessários que vem acumulando com apenas um ano e três meses de mandato. Para os vereadores Zeca do PT, Marcos Alex e Ayrton Araújo votar contra a cassação de Bernal seria um gesto, em princípio, de coerência com o histórico político e os objetivos do partido, que sonha somar forças para garantir a eleição de seu candidato a governador, Delcídio Amaral. Mas, em suma, seria um voto sem empolgação, uma “questão de honra” em consideração ao fato de ter sido o primeiro partido a declarar oficialmente o apoio a Bernal para o segundo turno da sucessão local. Edson Moraes, especial para MS Notícias