21 de outubro de 2020
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Cimi cobra governo do Estado para resolver conflitos indígenas no campo

Um dos membros do Cimi (Conselho indigenista missionário), Roberto Liebgott, rebateu a declaração da deputada estadual Mara Caseiro (PT do B) que disse que o conselho era do “mal”. Ele aproveitou também para cobrar uma iniciativa do governador André Puccinelli (PMDB) que também é contra as ações do Cimi.

De acordo com Roberto, tanto a deputada quanto o governador estão equivocados em relação ao conselho. “Ambos defendem os ruralistas, nós do conselho defendemos os direitos constitucionais dos índios, por isso essa diferença de idéia. Os conflitos só não acabam, pois os próprios políticos e o governo são omissos não cumprindo as determinações constitucionais que prevêem a demarcação de terras para os índios. A União do Estado necessita urgentemente realizar essas demarcações”, afirmou.

Questionado sobre a repercussão na imprensa dos casos de violência praticados pelos indígenas nas invasões das propriedades privadas, o missionário disse que a política e a mídia trabalham querendo criminalizar os índios.

“Essas pessoas buscam criminalizar o indígena. Mas os dados do levantamento dos casos de violência, revelam que durante os conflitos fundiários, quem sai mais machucada é a classe indígena e não os produtores rurais que são cheios de seguranças”, destaca Roberto.

O missionário fez questão de levantar alguns casos de violência contra indígenas ocorridos até os dias de hoje. Entre eles estão: a morte do índio terena Oziel Gabriel cometida por um policial durante uma ação de reintegração de posse de duas fazendas no município de Sidrolândia, distante 60 quilômetros de Campo Grande e a morte do cacique Nísio Gomes, cometido no dia 18 de novembro de 2011 por um pistoleiro contratado por um produtor rural.

Papel do CIMI em busca dos direitos indígenas - O Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas.

Criado em 1972, quando o Estado brasileiro assumia abertamente a integração dos povos indígenas à sociedade majoritária como única perspectiva, o Cimi procurou favorecer a articulação entre aldeias e povos, promovendo as grandes assembleias indígenas, onde se desenharam os primeiros contornos da luta pela garantia do direito à diversidade cultural.

O objetivo da atuação do Cimi foi definido pela Assembléia Nacional de 1995 que possui em um dos seus artigos, a seguinte ideia: Impulsionar pela fé o evangelho da vida, justiça e solidariedade frente às agressões do modelo neoliberal, decidir de forma intensificada a presença e apoio junto às comunidades, povos e organizações indígenas e intervir na sociedade brasileira como aliados dos povos indígenas. Fortalecendo assim o processo de autonomia dos índios na construção de um projeto alternativo, pluriétnico, popular e democrático.

Alan Diógenes