23 de setembro de 2020
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Com peso decisivo na disputa, Puccinelli ganha preferência para o Senado

A grandeza pessoal e a disciplina político-partidária da vice-governadora Simone Tebet ao reconhecer que a preferência por sua candidatura ao Senado está condicionada aos passos do governador André Puccinelli, trazem para o processo da sucessão em Mato Grosso do Sul um dos mais nítidos desenhos do cenário a ser estabelecido nos próximos dias. E o que se desenha é mesmo a confirmação de Puccinelli como candidato ao Senado, sejam quais forem os tabuleiros do confronto que os partidos irão travar. andré puccinelli 2 Enquanto o governador ensaia de público a intenção de vestir o pijama e concluir o mandato em dezembro próximo, Simone é a candidata "menina dos olhos" do PMDB para disputas majoritárias. Embora tenha conquistado o direito e a densidade política para ficar à disposição de qualquer uma das indicações (para governadora, vice ou senadora), ela preferiu, num jogo aberto e sincero, fixar-se como postulante ao mais alto cargo parlamentar do País e seguir na batida política do pai, o senador Ramez Tebet, uma das personalidades mais marcantes do Estado na vida pública nacional. Ocorre que Puccinelli, de longe, ainda é a melhor e mais eficiente rsposta do PMDB aos que estão apreensivos com o futuro do partido num tempo em que todos os ventos sopram a favor dos adversários, especialmente o PT de Delcídio Amaral e o PSDB do deputado federal Reinaldo Azambuja. O primeiro que cirandeia revestido de indiscutível favoritismo para assumir o lugar de Puccinelli em janeiro de 2015; e o segundo sassaricando com o projeto de engarupar-se no prestígio do petista para, somado à sua própria luz, aplainar o caminho rumo ao Senado. É certo que o otimismo de Azambuja com seu projeto se reforça em dois pilares lógicos: um, é a convicção de que a candidatura de Delcídio ao governo será vitoriosa; o outro pilar é a suposição (ou torcida) de que Puccinelli pretende de fato nada disputar este ano. Para completar o caldo de confiança do tucano, vislumbra-se um panorama bem alentador para ele na sucessão campograndense de 2016, depois do desmanche da hegemonia peemedebista em 2012 e diante dos temporais políticos e gerenciais que abalam a administração de Alcides Bernal (PP). Nesse contexto, Azambuja seria dentro de dois anos o candidato da vez para a Prefeitura da capital. Por esses componentes de base lógica o PMDB agarra-se a Puccinelli, mais uma vez, como seu salvador. E agora num desafio mais vital, já que o governador não pode disputar a reeleição e o partido, após a derrota na sucessão local, corre um risco cujas dimensões ainda não haviam sido experimentadas. É Puccinelli é a garantia de resistência e sobrevivência do PMDB, desde que esteja num palanque, nas estradas, nos meios de comunicação e nos bairros como candidato, pedindo votos para si e para seus companheiros. JOGR O JOGO - O corpo-a-corpo é o jogo onde Puccinelli sempre se deu muito bem, sabe jogar. Leva consigo uma força pessoal que antecede aos acúmulos políticos e eleitorais. É a sua presença um fator diferencido que adversário nenhum, se for inteligente, vai minimizar. O ex-governador Zeca do PT sabe disso. Delcídio idem. Ambos sopesam com o valor devido a influência que Puccinelli pode exercer numa eleição como candidato, pois como apoiador esse impacto se esvazia, haja vista o tombo eleitoral que sofreu ao apostar na candidatura de Edson Giroto para a sucessão municipal. Candidato a um cargo majoritário, aliando sua força pessoal ao perfil que soube impor de administrador operoso, capitaneando desde mega-investimentos como as duas versões do Programa MS Forte ou intervindo nas mais anônimas e simplistas demandas de varejo, no macro e no micro, misturando-se ao povo com seus feitos e capitalizando o máximo que esse marketing pode oferecer, Puccinelli vai ou pode fazer da sua indicação para disputar o Senado o divisor de águas nas eleições de Mato Grosso do Sul. E o PT e o PSDB têm ciência disso. Edson Moares, especial para MS Notícias