15 de junho de 2024
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"Estou blindado", diz Olarte que escolheu filho de desembargador para ajudá-lo a negociar com agiota

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Mais uma matéria foi veiculada hoje pela Rede Globo sobre o esquema no qual o Prefeito Gilmar Olarte está envolvido para conseguir dinheiro com agiotas mediante uso de cheques de terceiros.

Hoje, no MSTV 1ª edição, novas conversas entre Olarte e o irmão de seu ex-assessor Ronan Feitosa revelam que Ronan era muito mais próximo do Prefeito do que ele disse ao repórter do Fantástico, quando afirmou que Feitosa era apenas um assessor da Prefeitura.

Ronan é tido como principal articulador do esquema de Olarte e em uma das gravações, uma assessora de vereador da Câmara Municipal fala a uma credora que ela pessoalmente está ajudando o ex-assessor especial de Olarte a fugir da Capital enquanto o Prefeito arruma dinheiro para pagar os agiotas.

Os cheques foram trocados entre 2012 e 2013 por Ronan a pedido de Olarte sob promessa de contratos com Prefeitura, segundo informações do Gaeco exibidas na reportagem em questão. Uma das tentativas de Olarte para, supostamente, levantar recursos para quitar dívidas com agiotas foi em 2013 quando Ronan procurou o então secretário municipal de obras, Semy Ferraz, para tentar intermediar a assinatura de contratos com uma empresa do Rio de Janeiro para alugueis de caminhões caçambas.

Por telefone, o secretário confirmou ao MS Notícias, que Ronan o procurou, mas disse não ter dado importância ao pedido do então assessor especial de Gilmar Olarte. "Ele me procurou, mas nem levei muito a sério até porque era época de Copa do Mundo e não fazia sentido algum contratar caminhões do Rio"

Porém,conforme informou hoje o promotor de justiça do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Marcos Alex Vera à equipe da TV Morena, depois de investigações, ficou claro que o então vice-prefeito não conseguiu viabilizar nenhum dos contratos que prometeu e os agiotas, sabendo que os donos do cheques nada teriam a oferecer passaram a ameaçar Ronan e Olarte. Ronan, supostamente, sob tutela de Olarte saiu de Campo Grande e foi para São Paulo.

Outra revelação das investigações é que Olarte não só nomeou o filho do desembargador Sidnei Soncini Pimentel como secretário de governo, mas também concedeu a Rodrigo Pimentel a função de resolver os problemas com agiotas. Nas conversas telefônicas reveladas hoje, um dos agiotas diz a outro que Pimentel irá conversar com ele a pedido do Prefeito. Quando Ronan foi preso em São Paulo, o irmão dele ligou para Rodrigo e informou em qual delegacia ele estava. Rodrigo, prontamente, se compromete a ajudá-lo. 

A reportagem do MS Notícias tentou conversar com secretário, mas Rodrigo não atendeu as ligações nem retornou as mensagens até o fechamento desta matéria. Paralelo a todas essas informações, o Prefeito diz em várias conversas que está "blindado, que agora tudo é diferente, que ele tem um exército protegendo-o".

Talvez até tenha, já que há 3 meses, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul não coloca em pauta a ação penal movida pelo MPE (Ministério Público Estadual) contra Olarte e Ronan por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Cinco desembargadores já se declararam impedidos de relatar o processo.

No dia 8 de maio, o relator do processo desembargador Luiz Claudio Bonassini afirmou em nota ao MS Notícias que está aguardando cumprimento de prazos legais para que a defesa de um dos réus se manifeste e findando esse prazo, o processo entrará em pauta da 3ª Seção Criminal. E o Prefeito que hoje faria um pronunciamento sobre todo esse escândalo, preferiu se calar e cancelou a coletiva "sem motivo aparente."