14 de junho de 2024
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FORÇA E POLÍTICA

General Tomás Paiva avisa militares: "Ninguém está acima da lei!"

Militar prometeu prestar esclarecimentos sobre as primeiras medidas a frente do cargo

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O general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, anunciado novo comandante do Exército brasileiro em 21 de janeiro, declarou nesta 6ª feira (27.jan.2023) que todos os envolvidos, inclusive militares, que participaram do ato terrorista cometido por bolsonaristas em 8 de janeiro, vão ser responsabilizados, pois: “Ninguém está acima da lei!”. 

As falas do comandante do Exército sobre a situação da Força foram feitas na sede da Vice-Presidência, no anexo do Palácio do Planalto.

“Qualquer militar ou civil, ninguém está acima da lei. Então, isso aí a gente faz com tranquilidade”. 

General Tomás Miguel Ribeiro Paiva, chefe da Força terrestre do Brasil.  

Paiva falou a jornalistas depois de uma reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O militar foi questionado sobre a possibilidade de fazer novas trocas no Exército, mas disse que, por enquanto, não haverá novas movimentações.

“Quando tiverem as reuninões administrativas normais, de promoção ou de transferência, a gente vai fazer as trocas necessárias”, falou.

A Procuradoria de Justiça Militar em Brasília tem seis processos em aberto para apurar o envolvimento de militares nos atos terroristas. Conforme o Ministério Público Militar (MPM).

O governo Lula (PT) promoveu, nos primeiros 18 dias de governo, a dispensa de 144 militares da ativa lotados no Planalto. O presidente já disse desconfiar das Forças Armadas após os incidentes de 8 de janeiro. As falas do petista, contudo, têm causado mal estar entre os integrantes das três Forças que têm falado em “caça às bruxas”.

O novo comandante do Exército indicado por Lula barrou a nomeação do coronel Mauro Cid no comando do Batalhão de Ações e Comandos de Goiânia. O oficial foi ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro e é investigado em um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envolvimento no vazamento de informações sigilosas de inquérito da Polícia Federal (PF) sobre suposto ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

QUEM É PAIVA? 

Paiva tem 62 anos. Ele ingressou na carreira militar em 1975, quando entrou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas (SP), e foi declarado aspirante a oficial da Arma de Infantaria em 1981.

Atuou em misssão do Exército no Haiti como Subcomandante do Batalhão de Infantaria de Força de Paz e foi Comandante da Força de Pacificação da Operação Arcanjo VI, no Complexo da Penha e do Alemão, no Rio de janeiro (RJ), em 2012.

Comandou o Batalhão da Guarda Presidencial, em Brasília (DF), foi ajudante de ordens do presidente Fernando Henrique Cardoso e Assessor Militar do Brasil junto ao Exército do Equador.

O general também chefiou o Gabinete do Comandante do Exército, em Brasília, quando o general Villas Boas comandou a força, e comandou a 5ª Divisão de Exército, em Curitiba (PR).

Também tem passagens como subalterno e comandante de companhia de fuzileiros no 7º Batalhão de Infantaria Blindado, em Santa Maria (RS), no 26° Batalhão de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro (RJ), e no 33° Batalhão de Infantaria Motorizado, em Cascavel (PR).

Foi instrutor do Curso de Infantaria da Academia Militar das Agulhas Negras, Subcomandante da Companhia de Precursores Paraquedista, Ajudante de Ordens do Presidente da República e Assessor Militar do Brasil junto ao Exército do Equador.

Mais recentemente, chefiou o Comando Militar do Sudeste, em 2021, ainda na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Experiente, ele era o segundo na lista de generais que poderiam se tornar comandantes na gestão do ministro José Múcio Monteiro, da Defesa.

Em 2019, ele havia assumido o posto de general de Exército, o mais alto da carreira militar. Na época, ele passou a integrar o Alto Comando do Exército, órgão colegiado onde são discutidos temas da Política Militar Terrestre e assuntos de interesse do comandante do Exército.