12 de fevereiro de 2026
Campo Grande 24ºC

ELEIÇÕES 2026

Lula avisa Soraya: quer reunião com ela, Fábio e Vander ainda neste mês

Presidente da República vai acionar Edinho Silva e a ministra Gleisi Hoffmann para a agenda

A- A+

Durante agenda no Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, na 4ª feira (11.fev.26), um pacote de R$ 4,64 bilhões para ampliação, modernização e manutenção de 11 aeroportos em quatro estados: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pará e Minas Gerais.

A senadora Soraya Thronicke estava na cerimônia e, após seu discurso, Lula se dirigiu a ela para cumprimentá-la e avisar que ainda neste mês quer ter uma agenda com ela e lideranças do PT-MS para discutir as candidaturas ao governo e ao Senado no Estado.

A informação exclusiva foi repassada à reportagem do MS Notícias pelo deputado federal e presidente do PT-MS, Vander Loubet, na manhã desta 5ª feira (12.fev).

De acordo com o parlamentar, Soraya o telefonou ontem (11.fev) para comentar a conversa com Lula.

“A senadora Soraya disse que o presidente Lula terminou a fala e foi até ela, perguntando se ela teria falado comigo e com o deputado Zeca. O presidente disse à senadora que vai conversar com Edinho Silva (presidente nacional do PT) e com Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais do Brasil) para que vejam um espaço na agenda para que o presidente possa receber, ainda neste mês, o Fábio Trad e eu”, revelou Vander.

Ainda segundo o deputado, sua pré-candidatura e a de Fábio Trad devem, portanto, ser sacramentadas neste mês.

“Da nossa parte nunca houve dúvida: somos pré-candidatos, o Fábio ao governo de Mato Grosso do Sul e eu ao Senado. Agora o presidente Lula nos dará esse apoio dele para defendermos o projeto do governo Lula nas urnas aqui no Estado”, explicou Vander.

Na conversa com Soraya, Vander também disse que a senadora poderá migrar para uma legenda da base de Lula para ser o segundo voto ao Senado em MS.

“Ela deve ir para o PSB e será o segundo voto de Lula em MS”, completou o presidente do PT-MS.

“VAI SER VANDER E SORAYA”

Deputado e senadora por MS, Vander e Soraya vão disputar ao Senado em 2026 na base de Lula. Foto: Gil Ferreira/SRI-PRDeputado e senadora por MS, Vander e Soraya vão disputar ao Senado em 2026 na base de Lula. Foto: Gil Ferreira/SRI-PR

Procurada pela reportagem, Soraya confirmou a conversa com Lula e disse estar honrada por ter sido chamada a concorrer com o apoio do líder nacional.

“É uma honra para mim ter esse apoio do presidente Lula. O eleitorado dele cresce cada vez mais. Eu respeito, principalmente na defesa da democracia: segurou o país. Para mim, em primeiro lugar, é isso. Sabe discutir sem ofender, sabe dialogar, sabe ouvir. Nós divergimos em algumas questões, mas convergimos na maioria, que é pelo Brasil. Eu tenho todo o respeito por ele e é uma honra ser convidada”, disse a senadora.

Soraya explicou que Lula a chamou para compor uma dobradinha com Vander.

“O presidente Lula me chamou porque quer o meu segundo voto. Nós vamos acertar a melhor maneira de trabalhar. Eu não ataco, não bato, se eu não tenho prova de nada. Não faço isso para lacrar. Então, ele gostou da minha postura. O pessoal da base dele tem simpatia comigo. Eu sou o segundo voto: vai ser Vander e Soraya. Ponto”, apontou.

Apesar disso, Soraya detalhou que sua atuação será restrita: “do Senado para baixo”.

“Eu não vou entrar na campanha presidencial. Tenho eleitores dos dois lados e posso perder votos por causa disso. Não vou me envolver. Não é só discurso, é a minha atuação. Eu aceito quem ganhou, respeito o presidente da República e tenho feito um trabalho isento de ideologia. O que eu acho bom, eu voto; o que eu não acho bom, eu não voto. A economia está crescendo, está estabilizada. Temos problema de juros com o Banco Central, mas até o presidente Lula diz que é só baixar. Esse meu posicionamento independente agradou. Eu sou independente e respeitosa”, afirmou.

No que tange a disputa estadual, Soraya disse que atuará com equilíbrio entre os dois lados.

“Eu não tenho que bater nem no Eduardo Riedel nem no Fábio. E eu já avisei os dois que eu não vou bater em ninguém. Eu vou cuidar da minha vida. Um dia eu vou estar no palanque do Fábio, outro dia não sei o que vai acontecer. Mas tenho eleitores do Riedel e do Reinaldo que votam em mim”, afirmou.

Para a senadora, a estratégia não é ficar fora dos conflitos, mas assumir seu papel diverso nas eleições de 2026.

“Não é que eu esteja em cima do muro, eu estou cuidando do que posso. Não sou candidata à presidência nem ao governo. Vou cuidar do meu para manter todos os projetos em pé. Tudo que eu tenho feito — causa animal, agricultura familiar, prosperidade, melhoria — não pode parar. As pessoas estão desesperadas, mas não vai parar”, declarou.

A senadora defendeu que sua postura respeitosa a faz ser bem-vinda em diferentes lados da política.

“Eu conquistei o respeito porque eu respeito. Então é isso: nós vamos conversar e não sabemos como vai ser. Mas a Renata Abreu [presidente nacional do Podemos] também me respeita e confia. Ela falou que, se o resto do Brasil estiver de um lado ou de outro, o Podemos do Mato Grosso do Sul está liberado para eu fazer o que for melhor para o estado”, disse.

Mesmo que migre para uma legenda da base do governo Lula, a senadora acentuou que o Podemos terá seu lugar no tabuleiro.

“Dentro da conjuntura estadual, eu estou com a Verdade. Pode ser que não, mas eu continuo com o Podemos. Mesmo migrando ou não, o Podemos faz parte do time. Pode ser que a gente vá trabalhar para o time migrar para outra sigla, mas o suplente fica no Podemos. A gente não vai tirar o Podemos, a gente vai continuar com o Podemos. E ninguém tem que pedir voto ao presidente. Tá liberado. Eu vou liberar. Quem gosta do Lula pede voto do Lula; quem gosta do outro candidato pede voto para ele. Eu não vou fechar questão nisso”, argumentou.

Para Soraya, mesmo que esteja na base de Lula, não terá portas fechadas pelos ex-tucanos. A senadora defende que a ambição máxima política deste ano é uma cadeira na Casa Alta.

“Eles não vão fechar a porta para mim, entendeu? Então, onde as portas estiverem abertas e onde eu tiver palanque, eu estarei. Essa é uma eleição muito atípica, muito importante, muito rara, porque é uma eleição de parlamento. Com o parlamento errado, a gente destrói o Brasil. O parlamento hoje tem uma fatia do orçamento imensa. Tem nas mãos o impeachment, tem nas mãos tudo. Então é muito sério. Por isso que nenhum lado está ligando para governador, para nada; o povo que se vire. Eles estão apostando todas as fichas no Congresso, principalmente no Senado”, defendeu.

Por fim, Soraya argumentou que estará à frente das agendas pró-Brasil sem se prender aos lados ideológicos.

“Não vou jogar fora o que eu conquistei. Hoje em dia é uma coisa muito de pessoas, porque a questão de ideologia… o Bolsonaro não é de direita, ele não é conservador, é reacionário. Ele não é liberal na economia. Eu considero o Lula e o Haddad mais liberais. Entendeu? Então essa questão de ideologia, o povo não segue. A gente segue o que é necessário para o Brasil. Eu sigo quem abriu a porta para mim; quem me tratou com seriedade na execução dos recursos que eu enviei, eu ali estarei, mas sempre com o propósito certo”, finalizou.