16 de abril de 2024
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“Olartistas” disparam contra Bernal e assumem enredo contra a governabilidade

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O prefeito Alcides Bernal (PP) e seu esforço para recuperar a governabilidade em Campo Grande estão definitivamente na alça de mira dos vereadores olartistas – como ficaram conhecidos os parlamentares que votaram para cassar o mandatário eleito em 2012 e substitui-lo pelo vice, Gilmar Olarte. Destituído do cargo em agosto passado. Segundo o Ministério Publico e a Polícia, a cassação de Bernal foi urdida numa trama com a participação de Olarte, empresários e vereadores que se beneficiaram da manobra para ocupar secretarias ou nomear protegidos políticos.

Inconformados com a restituição do mandato a Bernal, vereadores citados nas operações Lama Asfáltica e Coffee Break - que investigam a compra de votos para derrubar o prefeito – partem para a ofensiva. E na fuzilaria desmedida e aleatória, atiram com argumentos que deveriam ter utilizados – e não utilizaram – para cobrar o que cobram hoje nos 17 meses em que conviveram no poder com Gilmar Olarte.

O vereador Paulo Siufi (PMDB), um dos mais ferozes críticos de Bernal, é um dos investigados que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) flagrou em escutas telefônicas indicando negociações pela recompensa pós-cassação. A ele, que é médico, teria sido assegurada por Olarte a participação “meio a meio” com o colega Jamal Salem (PR) no controle da Secretaria Municipal de Saúde, uma das mais endinheirada de todas as pastas.

Agora, Siufi questiona Bernal pela parceria da Prefeitura com a Águas Guariroba para operações de emergência (tapa-buracos) na recuperação das vias urbanas. Antes de Bernal reassumir, Olarte passou mais de um ano e meio com a caneta na mão para livrar as ruas da cidade da pulverização de crateras em todas as regiões. O máximo que conseguiu foi sofrer as acusações de desleixo e de negligência que caracterizaram alguns serviços de restauração do pavimento, inclusive com vários flagrantes de serviços simulados pelas empreiteiras para justificar a emissão das notas fiscais usadas para receber o pagamento pelo trabalho que não era feito. À época, a voz de Siufi não se levantou contra a desatenção do prefeito Olarte.

Outro vereador também citado nas investigações, Aírton Saraiva (DEM), que confessou ao Gaeco ter participado de reuniões com a finalidade de acertar a cassação de Bernal, entra em cena para atacar o prefeito interpelando-o sobre o número de nomeações que fez desde a terceira posse, no dia 26 de agosto. Nas operações que realizou para apurar denúncias do Ministério Publico sobre a armação para cassar Bernal, o Gaeco encontrou vários servidores nomeados por Olarte para cargos em comissão. Alguns deles chegaram a ser detidos pela Polícia sob a acusação de crimes como agiotagem e lavagem de dinheiro.Como se constata, preencher os cargos em comissão era uma das práticas usuais.

Para completar, as nomeações feitas por Olarte foram tantas que a vereadora Luiza Ribeiro (PPS), uma atenta observadora das ações de governo, resolveu cobrar sistematicamente, todos os dias e com números em mãos, a redução de cargos e o enxugamento drástico das nomeações. Apesar disso, a vigilância de Saraiva nessa época não se manifestou, como ocorre hoje, quando quem está no poder é o prefeito que ele ajudou a golpear em março de 2014.

As cobranças de Siufi e Saraiva contam com o endosso de outros investigados, entre os quais o tucano João Rocha, considerado um dos homens-chave do esquema que deu o poder a Olarte. Hoje ele preside a Comissão de Ética da Câmara que apura se nove de seus colegas quebraram decoro parlamentar, acusados de participar da montagem do processo que oficializou a cassação de Alcides Bernal.

Na contra-mão da opinião publica, os ataques a Bernal não levam em conta que a Capital precisa de governabilidade para sair do caos político e gerencial em que foi lançada desde o golpe que abriu um período de dois anos e meio de crises. O prefeito buscou amparo legal para estabelecer com organizações como o Exército e a Águas Guariroba parcerias institucionais que, por seu caráter de absoluta emergência, não necessitam de regras protocolares e nem autorização legislativa. 

Os buracos tomam conta da cidade. Sem recursos suficientes e destituída de estrutura logística e de transportes para uma intervenção dessa envergadura, a municipalidade buscou parceiros que estão habituados a contribuir em emergências semelhantes nos municípios onde atuam.