21 de abril de 2021
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Proclamação da República acende debate e divide opiniões em meio a crise política no Brasil

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Na data em que se comemora a Proclamação da República, neste domingo, 15 de novembro, quando o Brasil avançou um importante passo para conquistar a forma republicana federativa presidencialista em 1889, vários representantes da classe política de Mato Grosso do Sul fizeram menção a data sem muito o que comemorar. 

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), comentou por meio de rede social que “Há 126 anos, o Brasil deixava de ser uma Monarquia para se tornar uma República. Uma mudança importante para a transformação política contínua do país e respeito às escolhas e direitos do cidadão. Uma data que merece ser lembrada por todos nós”, diz em seu perfil. 
Já o ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, foi otimista e lembrou o direito a democracia, patriotismo e um momento de celebração ao 15 de novembro. “Bom dia amigas e amigos! A Proclamação da República abriu os caminhos para a construção da democracia brasileira. Um avanço na história que continuamos a construir todos os dias. Ainda hoje temos diante de nós os desafios da construção de uma sociedade humana e justa. Mais uma razão para que celebremos com patriotismo o 15 de Novembro”. 

Debate
Vários usuários das mídias sociais mostraram desinteresse em lembrar a data, já que na visão de alguns, o país não tem o que comemorar. “Quase ninguém sabe sobre o feriado de hoje. Mesmo que soubessem não vejo muito o que comemorar, já que graças ao descaso de muitos políticos o Brasil não tem evoluído em nada. Talvez fosse melhor manter a monarquia”, diz um usuário. Já uma usuária responde o comentário com “perspectivas melhores para o Brasil. “É um momento de reflexão, a resposta para resolver nossos problemas estão nas urnas, é muito fácil reclamar do sofá sem fazer nada, o importante é mudar nas pequenas coisas para mudar lá na frente, eu acredito no meu país”, afirma a usuária.

Em tom mais “realista”, o deputado estadual Marcio Fernandes (PTdoB) lembrou a situação crítica que o Brasil passa pela crise econômica e política e postou. “Por mais difícil que esteja a situação do nosso país, continuemos a proclamar nossas ideias, pensamentos e acreditar na nossa pátria!”. O MS Notícias entrou em contato com o deputado, porém não retornou as ligações para comentar a respeito do momento de crise que o Brasil passa afetando também o Estado. 

Relembrando a história
Antes de se tornar uma República, o Brasil era um Império. Em outras palavras, éramos independentes de Portugal, no entanto, todas as decisões eram tomadas de forma unilateral pelo imperador, D. Pedro II. A monarquia começou a ficar enfraquecida no fim do século XIX, período em que o Brasil passava por uma série de mudanças sociais e econômicas.
Com o fim da escravidão, o Império perdeu o importante apoio dos escravocratas, uma vez que os republicanos (que eram aqueles que queriam acabar com a monarquia) compartilhavam os mesmos ideais dos abolicionistas. D.Pedro II também perdeu o apoio fundamental da Igreja ao interferir em assuntos religiosos. Os militares estavam descontentes pela atitude do imperador de proibir os mesmos de se expressarem na imprensa. Por fim, a classe média (jornalistas, médicos, comerciantes, etc.), que estava em constante crescimento, desejava conquistar um espaço maior nas decisões políticas. Todos estes fatores foram fundamentais para o fim das bases de sustentação da monarquia no Brasil.

Em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca declarou o fim do período imperial. Naquele mesmo dia se formou um governo provisório. Assim, o marechal se tornou o primeiro presidente da história do Brasil. Ciente de que não conseguiria de forma alguma reverter tal situação, D. Pedro II apenas aceitou a vontade do povo e retornou para Portugal.