01 de julho de 2022
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CONDENADO | EX-PARÓCO

Ex-padre, Pedro Leandro Ricardo pega 21 anos de prisão

Havia sido afastado em 2019

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Pedro Leandro Ricardo, de 50 anos, ex-padre da Diocese de Limeira, no interior paulista, foi condenado a 21 anos de prisão por violação sexual contra dois coroinhas de 11 e 17 anos.  

Os abusos teriam acontecido entre os anos de 2002 e 2005 em  Araras (SP), onde o ex-padre atuou entre 2003 e 2006.

Ricardo deverá cumprir a pena em regime fechado, conforme a decisão. O ex-padre estava numa lista de parócos suspeitos de abusos sexuais que publicamos no MS Notícias.  

A condenação foi assinada pelo juiz Rafael Pavan de Moraes Filgueira. O magistrado disse que o ex-padre praticou delitos previstos no artigo 214 e artigo 226 do Código Penal. Além da prisão, o ex-padre foi condenado a pagar as custas dos processos no valor de 100 UFESPs, que equivale a R$ 3,1 mil.  

Em março de 2022, o Papa Francisco decidiu pela demissão do pároco do estado clerical. 

Na época, ele estava em Americana, mas já havia sido afastado das funções de reitor e pároco da Basílica Santo Antônio de Pádua, desde janeiro de 2019.

Filgueira explicou que o ex-padre usava da sua condição e escolhia as vítimas com situações familiares desestruturadas sabendo que não seria questionado ou enfrentado por seus atos.

DENÚNCIA 

A Justiça considerou o ex-padre culpado de duas das quatro acusações. Os ex-coroinhas contaram na época da denúncia que tinham entre 11 e 17 anos. Ambos relataram que o contato sexual com o então padre foi o primeiro de suas vidas. Eles revelaram que as ações variavam de “escorregadas de mão“ à “felação”, de acordo com reportagem de Laís Seguin, na Folha de S.Paulo.

“As vítimas não eram fruto do acaso. Ao revés, eram cuidadosamente escolhidas pelo réu que, ciente do poder reverencial que ostentava, por ser padre e, nesta qualidade, ante a ausência de lar estruturado, assumir o papel de figura paterna, delas se aproveitava para satisfação de sua lascívia", destacou o juiz, em sua decisão.

ABSOLVIDO 

Em outras duas das acusações o ex-padre não foi condenado porque, à época dos fatos, as ações praticadas por ele de toques corporais, mesmo que em menores de idade, não eram consideradas atentado violento ao pudor e eram classificadas como contravenção penal de perturbação da tranquilidade.

"Fosse hoje os fatos perpetrados contra as vítimas seriam classificados como 'violência sexual mediante fraude' ou 'importunação sexual'. Entretanto, à época, não havia tais tipificações penais, não podendo elas retroagir para prejudicar o denunciado", justificou o juiz.

A defesa disse que ele alegou inocência e vai recorrer da decisão.