04 de abril de 2026
Campo Grande 28ºC

VIOLÊNCIA POLICIAL

Vídeo: PM mata a tiros ajudante de pedreiro já rendido; 'foi acidental', justificou

Vítima cuidava da filha de 2 anos sozinho

A- A+

O soldado da Polícia Militar Dernival Santos Silva, de 27 anos, matou a tiros Matias Menezes Caviquiole, um ajudante de pedreiro de 24 anos. O crime aconteceu na manhã do domingo (5.nov.23), no Morro do Piolho, uma comunidade da região do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. Um vídeo mostra o jovem já redindo sendo alvejado. 

Matias cuidava da filha de 2 anos sozinho. Ele foi alvejado no peito com as mãos para o alto. O vídeo do momento do disparo foi divulgado pelo jornalista André Caramante.

As pessoas em volta pedem para que o PM não atire, que o rapaz não oferecia resistência. Mesmo assim, o policial atira uma vez contra o peito do ajudante de pedreiro, que cambaleia para trás com as mãos no corpo, senta na sarjeta e depois cai morto. Eis o vídeo: 

PROTESTOS

Presidente do Sindicato dos Químicos, Hélio Rodrigues diss que a polícia de Tarcísio atira para matar o povo pobre e preto da periferia. "Matias Menezes Caviquiole, 24 anos, é mais uma vítima do jeito Tarcísio de governar que permite a violência no uso de força com os que já estão rendidos".

Paulo Cesar Dhino protestou contra a existência de órgãos de segurança violentos com a população como a Polícia Militar: "Até quando um pobre trabalhador assalariado como um policial vai matar a sangue frio outro pobre trabalhador? Mas o que se passa pela cabeça dos policiais? Acham que são de uma classe superior?? Já passou e muito da hora de fechar a PM. Não se justifica gastar dinheiro público, arrecadado do suor do trabalhador pobre, para pagar o salário de seus próprios assassinos! Não pode mais existir Polícia Militar, é urgente a criação de uma polícia civil e progressista, sem vínculos com o golpismo militar", disse.  

Ity Guimas resumiu: "O despreparo da Polícia Militar é igual em todo Brasil. E o modus operandi também: matar pobre". 

O QUE DIZ A PM 

De acordo com a PM, Matias tinha sido abordado na Rua Olímpio Rodrigues de Araújo, por que, supostamente estaria impedindo policiais de se aproximarem de uma dupla que pilotava uma moto sem placa. Um dos ocupantes foi preso e o outro fugiu.

"Na ocasião, policiais militares abordavam uma dupla flagrada em uma motocicleta sem placa, quando um outro homem interveio e tentou soltar os suspeitos. Ele fugiu em seguida, mas foi alcançado por outro policial. Quando o PM fazia a abordagem, houve um disparo de arma de fogo e o homem foi atingido. O policial acionou o resgate, mas o homem morreu no local", alegou a Secretaria da Segurança Pública (SSP), por meio de nota divulgada à imprensa por sua assessoria.

SOLTO APÓS PAGAR FIANÇA

O soldado da PM chegou a ser preso em flagrante e indiciado por homicídio culposo, sem intenção de matar. Mas Dernival pagou fiança de R$ 1,3 mil, arbitrada pela Polícia Civil, e foi solto para responder ao crime em liberdade. O valor foi sugerido levando em contato o salário do PM, que é de cerca de R$ 3 mil. A arma de trabalho dele, uma pistola da marca Glock, calibre .40, foi apreendida para ser periciada pela Polícia Técnico-Científica.

PRESO NOVAMENTE

Após o vídeo da execução se tornar público, Dernival foi preso novamente pela própria Polícia Militar, segundo a Secretaria da Segurança. "Em seguida o policial foi ouvido no Plantão de Polícia Judiciária Militar, onde foi autuado e conduzido ao presídio Romão Gomes [na Zona Norte da capital paulista]. Um inquérito policial militar foi instaurado para apurar todas as circunstâncias do caso", informa trecho do comunicado da pasta.

O caso foi registrado inicialmente no 47º Distrito Policial (DP), Capão Redondo, como homicídio culposo. A reportagem teve acesso ao boletim de ocorrência. Nele, a delegacia informou que o crime ocorreu por "inobservância de regra técnica de profissão". Ou seja: o policial militar deixou de tomar os cuidados de segurança para a arma não disparar, segundo a Polícia Civil.

O Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu as investigações do caso pelo fato de o crime ter sido cometido por um agente da PM.

Policiais civis do DHPP informaram ter visto as imagens da câmera corporal do soldado, que estava presa a seu uniforme. Segundo eles, as filmagens confirmam a versão de Dernival: "É possível visualizar o momento em que o policial militar efetua o disparo sem querer", alegou o Departamento de Homicídios no registro do caso.

A Ouvidoria da Polícia, órgão responsável por receber denúncias sobre a atividade policial e pedir apurações junto aos órgãos públicos, acompanha o caso.

FONTE: *Com g1.