25 de novembro de 2020
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Renan Rocha critica a surfista Maya Gabeira: “Tem coragem, mas falta técnica”

Portal R7

Aposentado das competições e com diversos títulos no currículo, Renan Rocha continua ligado ao universo do surfe. Há quatro meses, o ex-surfista profissional resolveu se dedicar atuando do outro lado e tornou-se técnico de Wiggolly Dantas, conhecido como Guigui, jovem ubatubense que ocupa a 46º posição no ranking mundial.

Por sorte, quando foi informado das ondas que chegariam à Praia do Norte, em Nazaré, Renan acompanhava o seu atleta no WQS Prime 2013, que também estava acontecendo em Portugal. Eles estenderam a viagem e aproveitaram as condições do mar. Ao retornar ao Brasil, Renan Rocha conversou com o R7 sobre a experiência e comentou o cenário atual do surfe mundial.

Foto : Divulgação

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Ele não encarou as ondas gigantes que invadiram Nazaré, mas acompanhou tudo de perto. Quando foi questionado sobre o acidente sofrido pela brasileira Maya Gabeira, Renan lamentou o que aconteceu, mas não deixou para trás as críticas sobre o episódio.

— Infelizmente, poderia ter acontecido com qualquer um. Ela perdeu o controle da prancha, estava em um momento crucial, com muita velocidade. A verdade é que Maya não tem técnica para surfar essas ondas. Ela não é uma boa surfista, mas ela tem coragem e o suporte de uma equipe.

Em Portugal, o objetivo de Renan não foi surfar. Apesar de ter pegado algumas ondas, ele diz que se dedicou mais a dar suporte técnico para Guigui e sentiu a adrenalina de quem fica assistindo de fora. Desde que começou o trabalho com o treinador, há quatro meses, o atleta de Ubatuba subiu cerca de quarenta posições no ranking mundial e o objetivo é chegar à elite no próximo ano.

Renan abandonou o WCT, circuito mundial de surfe, em 2003 e lembra que a decisão foi difícil. Mas na época, com 33 anos, sentiu que estava satisfeito com o caminho que havia trilhado até ali. Como surfista profissional, ele encontrou ondas perfeitas nos seus lugares preferidos, Teahupoo e Pipeline. As melhores ondas também aparecem na lista dos mares mais perigosos que ele enfrentou, ao lado de Havaí e Taiti.

Apesar de ter se realizado como profissional, Renan conviveu com o preconceito que existia em relação ao esporte. Agora, o surfe é uma modalidade respeitada e está incluída em todas as classes sociais. Mesmo com as mudanças que já ocorreram, o ex-surfista acredita em adaptações que podem deixar o esporte ainda mais popular.

— Antigamente, as pessoas tinham vergonha de falar que surfavam e hoje têm prazer em falar que são surfistas. Melhorou muito o cenário mundial, mas o que deve mudar ainda é o formato para poder chegar à televisão, passar os campeonatos ao vivo e trazer mais dinheiro para o esporte.

Mesmo com as dificuldades que enfrentou durante a carreira, ele sempre foi apaixonado pelo que faz. Nunca surfou para conquistar bens materiais. Os obstáculos de cada dia e a ligação com a natureza fazem com que o esporte continue presente na rotina do ex-atleta.

— Eu fui e vou ser surfista de alma, ter o prazer de praticar o esporte. Fazer meu balé em cima da prancha, interagir com a natureza na solidão do oceano. O desafio de nunca surfar uma onda igual a outra é igual a uma droga.

Atualmente, Renan mora em São Paulo e é proprietário de uma pousada na Guarda do Embaú, em Santa Catarina. Seu principal objetivo é focar na parte técnica e seguir administrando a carreira de Guigui e encontrar mais um atleta para treinar. Cheio de experiências na bagagem, ele deixou claro que viver como surfista pode ser uma fantasia.

— A última coisa que o surfe te dá é estabilidade financeira. Só para os cinco primeiros brasileiros que estão no WCT, estes estão fazendo dinheiro para garantir estabilidade, os outros tentam ser surfista profissional, vivendo de ilusão.