24 de setembro de 2021
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ECONOMIA | ALIMENTAÇÃO

Cesta básica fica mais cara em 15 capitais; "Salário-mínimo deveria ser R$ 5,5 mil", para comprar

O trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em julho, 55,68% do salário para comprar alimentos básicos

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Campo Grande (MS) registra novo aumento no preço da cesta básica. Em julho a cidade teve alta de 3,89% nos preços, assim como: Fortaleza (3,92%), Aracaju (3,71%), Belo Horizonte (3,29%) e Salvador (3,27%). O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), diz que para comprar cestas nos preços atuais, o trabalhador deveria receber a R$ 5.518,79 de salário-mínimo. O salário deveria então ser 5,02 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100,00. 

A capital sul-mato-grossense acumulou alta nos preços nos primeiros 4 meses de 2021, em maio teve recuo, assim como em junho, mas voltou a ter alta neste mês. O levantamento DIEESE analisou a situação dos preços da cesta em 17 capitais brasileiras. 

Em julho o custo médio da cesta de alimentos subiu em 15 cidades e diminuiu em duas. As capitais que tiveram queda foram João Pessoa (-0,70%) e Brasília (-0,45%).

A cesta mais cara foi a de Porto Alegre (R$ 656,92), seguida pela de Florianópolis (R$ 654,43) e pela de São Paulo (R$ 640,51). Entre as cidades do Norte e Nordeste, as que apresentaram menor custo foram Salvador (R$ 482,58) e Recife (R$ 487,60).

Ao comparar julho de 2020 a julho de 2021, o preço do conjunto de alimentos básicos subiu em todas as capitais que fazem parte do levantamento. Os percentuais oscilaram entre 11,81%, em Recife, e 29,42%, em Brasília.

Nos primeiros sete meses de 2021, 14 capitais acumularam altas, com taxas entre 0,04%, no Rio de Janeiro, e 14,71%, em Curitiba. As reduções foram observadas em Belo Horizonte (-3,35%), Brasília (-1,60%) e Goiânia (-0,30%).

Com base na cesta mais cara que, em julho, foi a de Porto Alegre, o DIEESE estima que o salário-mínimo necessário deveria ser equivalente aos R$ 5,5 mil. “O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. Em junho, o valor do mínimo necessário deveria ter sido de R$ 5.421,84, ou 4,93 vezes o piso em vigor”, explica o DIEESE. 

Quando se compara o custo da cesta com o salário-mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em julho, 55,68% (média entre as 17 capitais) do salário-mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Em junho, o percentual foi de 54,79%.

 

Capital

 

Valor da

cesta

Variação mensal (%)

Porcentagem do Salário Mínimo Líquido

Tempo de trabalho

Variação no ano (%)

Variação em 12 meses (%)

Porto Alegre

656,92

2,27

64,56

131h23m

6,70

28,50

Florianópolis

654,43

1,40

64,32

130h53m

6,31

25,36

São Paulo

640,51

2,19

62,95

128h06m

1,43

22,06

Rio de Janeiro

621,34

0,34

61,07

124h16m

0,04

22,86

Curitiba

619,83

0,20

60,92

123h58m

14,71

17,81

Vitória

612,45

0,19

60,19

122h29m

2,03

26,33

Campo Grande

588,84

3,89

57,87

117h46m

2,14

22,73

Brasília

582,35

-0,45

57,23

116h28m

-1,60

29,42

Fortaleza

562,82

3,92

55,31

112h34m

5,21

23,77

Goiânia

562,13

1,93

55,25

112h26m

-0,30

18,88

Belo Horizonte

549,49

3,29

54,00

109h54m

-3,35

18,15

Belém

522,66

0,80

51,37

104h32m

4,35

18,52

Natal

506,51

1,26

49,78

101h18m

10,40

17,61

João Pessoa

492,30

-0,70

48,38

98h28m

3,60

17,85

Aracaju

488,42

3,71

48,00

97h41m

7,78

24,36

Recife

487,60

0,76

47,92

97h31m

3,88

11,81

Salvador

482,58

3,27

47,43

96h31m

0,73

16,22

Fonte: DIEESE