17 de abril de 2024
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APÓS 2 ANOS

Protesto marca a 1ª audiência do instrutor de capoeira ligado a morte de Raul

'Quem tem dinheiro hoje, praticamente compra o que quiser', lamenta a mãe

Amigos e familiares de Raul Pablo Antunes de Brum realizaram um protesto nesta 4ª.feira (20.mar.24) em frente ao Fórum Heitor Medeiros, em Campo Grande (MS) cobrando justiça 'Justiça por Raul', que suicidou após denunciar que sofreu abuso sexual do então professor de artes marciais Leandro Busanello de Araújo, de 39 anos.  

Vamos lembrarRaul foi encontrado morto aos 18 anos numa reserva de mata ao lado do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. Ele morreu em 1º de outubro, mas seu corpo só foi achado no dia 3 de outubro de 2021.

A denúncia de abuso sexual foi feita por Raul e pelo primo, Leonardo Bartziki, no dia 27 de novembro de 2020 na Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente (DEPCA), isso porque na época da denúncia, Raul tinha 17 anos. O MS Notícias mostrou o caso AQUI em reportagem exclusiva.  

O protesto desta 4ª teve início às 14h30 em frente a DEPCA, na Rua Vinte e Cinco de Dezembro, 474. Por volta das 15h30, o grupo manifestante partiu em cortejo entoando cantigas de roda de Capoeira (mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música) até a frente do Fórum, na R. da Paz, 14. 

Uma das cantigas de capoeira dizia: 'Impunidade não!'. 

Pintor, o primo de 24 compareceu a manifestação em frente a DPCA e Fórum de Justiça. Foto: Tero Queiroz Pintor, o primo de Raul compareceu a manifestação em frente a DPCA e Fórum de Justiça. Foto: Tero Queiroz 

Primo de Raul, Leandro Bartzik, de 24 anos, disse que a família apela por justiça temendo que mais jovens possam ser vítimas. "O processo está muito demorado, já passaram três anos e ele ainda está impune. Ele pode estar fazendo outras vítimas também, por isso também que estamos aqui, para que outras pessoas não venham a passar por isso. Pelo o que a gente sabe ele está impune de tudo isso, livre".  

Para o primo, a Justiça é necessária, mas não "A gente não tem um prazo, um tempo certo, porque é uma perda irreversível. A gente está aqui, porque além do nosso primo, há muitas outras pessoas que foram abusadas, estamos aqui pelo Raul e todos". 

Manifestantes, amigos e familiares de Raul protestaram cobrando celeridade do Fórum de Justiça em Campo Grande. Foto: Tero Queiroz Manifestantes cobream 'Justiça' por jovem abusado por mestre de Capoeira em Campo Grande. Foto: Tero Queiroz 

A mãe de Raul declarou que deseja que a morte de seu filho não tenha sido em vão e que o suspeito seja responsabilizado."Eu acredito que a justiça brasileira é falha, porque já fazem quase 3 anos e agora que veio a primeira audiência. Eu espero que hoje a justiça seja feita. É isso que a gente espera. Que a justiça seja feita em prol do Raul. A morte dele não pode ter sido em vão. Que essa pessoa pague. Que esse malfeitor pague por tudo que ele fez. Ele destruiu sonhos de meninos e famílias. Então espero que ele pague, porque se não for feita a justiça ele vai continuar fazendo com outras crianças a mesma coisa. Espero, então, que hoje tenhamos uma boa decisão e que a justiça seja feita", disse a mãe, que preferiu não se identificar.  

Segundo a mãe, apesar de buscar justiça no caso do filho, há muito temor por parte de todos por se tratar do acusado, um homem de família com alto capital financeiro. "Quem tem poder hoje, quem tem costas quentes, como falam, eu acho que eles podem comprar o que quiserem. Pelo o que vejo e sei: tanta impunidade nesse Brasil. E só os pobres mesmos da periferia que não tem vez na vida, pode se dizer. Quem tem dinheiro hoje, praticamente compra o que quiser. A justiça brasileira é muito falha, falha mesmo", opinou.  

Manifestantes cobram 'Justiça por Raul' em frente ao Fórum de Justiça de Campo Grande (MS). Foto: Tero QueirozManifestantes cobram 'Justiça por Raul' em frente ao Fórum de Justiça de Campo Grande (MS). Foto: Tero Queiroz

Ainda de acordo com a mãe, a morte do seu filho foi um desabafo ao mundo e um pedido de socorro a todas as vítimas. "Foi uma forma de ele mostrar e gritar por justiça, para que todas as pessoas que foram vítimas tivessem coragem de denunciar. Não é porque se trata de uma pessoa de periferia que não pode ter direitos, ele queria que a justiça ouvisse o grito dele. Não é porque a pessoa é pobre, vem da periferia, podem fazer o que quiser com ela e ficar por isso mesmo. Então, eu acho que essa audiência de hoje, a partir de hoje teremos uma vitória nessa audiência. Que o resultado mostre isso, que a morte do Raul não foi em vão, não pode ser em vão", concluiu a mãe.  

1ª AUDIÊNCIA EM QUASE 3 ANOS 

Essa foi a 1ª audiência contra Busanello sobre Raul. Nesta 4ª, a Justiça realizou a 'instrução de julgamento', um ato processual para coletar provas e depoimentos de testemunhas perante um juiz.

COMO O SUSPEITO AGIA 

Raul (E) e o ex-professor de artes marciais, Leandro (D). Fotos: Rede socialRaul (E) e o ex-professor de artes marciais, Leandro (D). Fotos: Rede social

Busanelo era considerado Instrutor de Capoeira e ministrava aulas de na academia ArtFísica, local onde teria feito diversas vítimas, conforme denúncias.

Raul e seu primo teriam sido abusados sexualmente por Leandro que para convencer os jovens oferecia até "academia gratuita". "Que Leandro é mestre de capoeira e o comunicante o teria conhecido através do projeto Rede Solidária, onde fazia aulas de capoeira. Já Raul, que é seu primo, teria conhecido o autor quando fazia aulas de capoeira na escola Hércules Maymone. Foram convidados por Leandro a frequentar sem custo a academia a qual era proprietário, que o autor costumava levar os menores para sua residência, os agradava com presentes, regalias e dinheiro, como forma de ganhar a confiança e com isso praticar atos libidinosos", narrou um registro de ocorrência sobre o caso. Leia aqui

Raul teria sido vítima desde os 13 anos e além de ter sido abusado, teria assistido colegas sendo vítimas. 

OUTROS CASOS E CONDENAÇÕES

Além de Raul, ao menos mais 20 adolescentes e crianças teriam sido vítimas de Busanello. Os familiares dos menores fizeram denúncias. 

Busanello já tem uma condenação de estupro de vulnerável de 2020. Na ocasião, a justiça o sentenciou por crime sexual contra uma criança de 9 anos, um de seus alunos em um projeto social. Busanello, porém, nunca foi preso.    

O ACUSADO

Leandro Busanello de Araújo começou a praticar capoeira em 1997, quando ele tinha 11 anos.

Em 2005 recebeu o título de mestre no esporte e no ano seguinte montou o grupo 'Capoeira Roda de Bamba'. Mais tarde, em 2008, o projeto se tornaria a “Associação de Capoeira Roda de Bamba", que segundo o idealizador teria como intuito agregar valores e propiciar melhores condições para o estudo, fomento, desenvolvimento da arte, da luta e dos integrantes.

PROCURE AJUDA - O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.As ligações para o CVV através do número 188 são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular, provenientes de qualquer cidade do estado contemplado, a partir das datas estabelecidas.

 

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