28 de novembro de 2020
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FUTURO

Quatro previsões para um mundo pós-coronavírus

Trabalho remoto, automação e cooperação internacional podem em breve se tornar o novo normal

A pandemia do coronavírus será lembrada como um evento de reordenação mundial. Como a Grande Depressão, a queda do Muro de Berlim e a crise financeira global de 2008, irá acelerar as mudanças sociais e econômicas que, de outra forma, levariam anos para ocorrerem.

Por mais que demore, eventualmente iremos derrotar esse vírus e nossa economia irá se recuperar da recessão. Mas quando a poeira baixar e as máscaras forem retiradas, a pandemia terá reformulado permanentemente nosso comportamento social e econômico.

Aqui estão alguns resultados que parecem cada vez mais prováveis.

1. EMPRESAS QUE OFERTAM SERVIÇOS DIGITAIS E COMÉRCIO ELETRÔNICO OBTERÃO GANHOS IMEDIATOS E DURADOUROS

Com pessoas isoladas em ambientes fechados e afastadas de outras pessoas, os vencedores de curto prazo serão aqueles que fornecem bens e serviços sem precisar entrar em contato físico com seus clientes.

Os vencedores nessa categoria serão provedores de computação em nuvem (por exemplo, Amazon Web Services), serviços de trabalho remoto como Zoom, Slack, Microsoft Teams, serviços de streaming como Netflix e TV por assinatura.  

O tráfego de mídia social aumentará, mas a receita proveniente dos anunciantes sofrerá com a fraca demanda em uma economia prejudicada.

No curto prazo, as plataformas de comércio eletrônico, os serviços de entrega de alimentos e as empresas de logística também sairão vencedores. Quando a economia melhorar, esses ganhos irão continuar principalmente graças a mudanças arraigadas nos hábitos de compra dos consumidores.

2. O TRABALHO REMOTO SE TORNARÁ O PADRÃO

Os funcionários que estão repentinamente trabalhando em casa por necessidade estão passando por uma mudança em seu estilo de trabalho, o que poupa o terno e dá a muitos deles maior flexibilidade com seus horários e demandas fora do trabalho. Muitos acharão que preferem trabalhar remotamente e, quando a crise recuar, será difícil e caro para algumas empresas negar-lhes essa opção, enquanto outras vão querer tirar vantagem dessa nova preferência.

A tecnologia de trabalho remoto será aprimorada, permitindo o tipo de mistura anteriormente pensada para exigir reuniões presenciais. Isso causará uma severa desaceleração no setor imobiliário comercial, pois as empresas irão cortar drasticamente o tamanho de seus espaços de trabalho.

Juntamente com restrições mais estritas de viagens e quarentenas obrigatórias para estrangeiros que entram em determinados países, isso também sobrecarregará severamente os setores dependentes de viagens de negócios.

3. MUITOS TRABALHOS SERÃO AUTOMATIZADOS E O RESTANTE SERÁ FEITO DE FORMA REMOTA

Para sobreviver à crise, as empresas precisarão demitir seus trabalhadores menos produtivos e automatizar o que pode ser automatizado. Aqueles que fazem isso efetivamente surgirão mais enxutos e mais eficientes. Eles também não terão incentivo para retornar à sua contagem pré-crise, e muitos daqueles cujas funções foram automatizadas não terão as habilidades necessárias para competir na nova economia pós-crise. A participação na força de trabalho
sofrerá. A médio e longo prazo, essas empresas também perceberão que as funções que eles tornaram com capacidade remota também podem ser desempenhadas por trabalhadores altamente qualificados em países de baixo custo. Em resumo, os trabalhos passarão primeiro de presenciais para domésticos remotos, e com o tempo passarão de domésticos remotos para remotos no exterior.

4. APÓS UMA ONDA INICIAL DE ISOLAMENTO, A COOPERAÇÃO MULTILATERAL PODE FLORESCER

Após um recuo inicial da globalização, os países podem reconhecer que as ameaças tecnológicas e virais são realidade e, portanto, requerem cooperação internacional. Adotando um senso de internacionalismo pragmático, os países podem acabar desenvolvendo normas internacionais, sistemas de monitoramento e relatórios e planos coordenados de resposta e
contingência. 

Quando a próxima pandemia ocorrer, os sistemas globais de monitoramento e geração de relatórios a detectarão mais cedo. Uma resposta global coordenada tornaria mais efetivas as ordens de auto isolamento, encurtando a depressão econômica e, com sorte, poupando vidas.

Esse artigo foi produzido pela equipe do site Folha Econômica.