17 de agosto de 2026
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Após carbonizar 7 indígenas em acidente, caminhoneiro é liberado

Semirreboque se desprendeu da carreta e atingiu o Chevrolet Spin

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A polícia deixou em liberdade o caminhoneiro Everton Salin Santin que causou a morte violenta de sete indígenas na MS-180, entre Iguatemi e Japorã, na 6ª feira (14.ago.26). 

As vítimas eram da aldeia Kalipety, na Terra Indígena Tenondé Porã, em Parelheiros (SP). 

Os indígenas foram carbonizados por um semirreboque que pertencia a carreta conduzida por Everton. Entenda abaixo.

FAMÍLIA E AMIGOS MORTOS

Segundo apurou o MS Notícias, dentre os mortos, ao menos cinco eram da mesma família. Eis o detalhamento das identidades das vítimas: 

  1. Tiago Honorio dos Santos, de 34 anos, líder indígena conhecido como Tiago Karai;
  2. Laudiceia Benites, de 30 anos, importante liderança indígena e esposa de Tiago;
  3. Cleonice Honorio dos Santos, de 42 anos, irmã de Tiago;

Morreram também os filhos de Tiago e Laudiceia: 

  1. Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14 anos,
  2. Luna Benites Santos, de 7 anos;

E também morreram dois amigos da família de Tiago:

  1. Ileo Benites, de 30 anos;
  2. Genilson Euzebio Karay Mirim, de 32 anos.

FUGA DO CAMINHONEIRO

Segundo apurou a reportagem, Everton conduzia uma carreta que puxava um semirreboque carregado de milho.

O implemento se desprendeu da carreta e atingiu o Chevrolet Spin em que estava a família de indígenas.

Após o impacto um incêndio consumiu o Spin e carbonizou todas as vítimas no veículo de sete lugares.  

O Boletim de Ocorrência traz um dado no mínimo estranho. Ao invés de parar no momento em que viu que o semirreboque havia se soltado, Everton seguiu até Mundo Novo — a 65 km da ponte — e foi para um hotel comunicar o proprietário do caminhão sobre o ocorrido. 

INTERCÂMBIO EM MS 

Tiago e família estavam em MS para um intercâmbio cultural entre comunidades indígenas.

Antes do acidente, eles passaram pela Terra Indígena Porto Lindo, em Japorã. No local, além de rezas, os indígenas trocaram sementes para serem plantadas em seus territórios. 

No momento em que foram vitimados, Tiago e a família estacam seguindo em direção a Aldeia Cerrito, em Eldorado, onde um dos integrantes tinha um pai. 

O referido pai chegou a esperar pela chegada do grupo, mas o veículo não apareceu. Foi justamente a preocupação dos parentes que ajudou a confirmar a identidade dos ocupantes do carro após o acidente, já que eles foram carbonizados.  

REPERCUSSÃO

 

Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas lamentou a morte do líder indígena e seus parentes.

"Tiago Karai foi coordenador da Comissão Guarani Yvyrupa e umas das principais lideranças da Aldeia Kalipety, assim como sua esposa, Laudiceia Benites. O legado de luta em defesa dos direitos dos Povos Guarani permanecerá vivo e suas vozes seguirão ecoando entre nós. Neste momento de dor e sofrimento, prestamos nossa solidariedade aos parentes, amigos e a toda comunidade Mbya Guarani", afirmou o órgão.

O Ministério Público Federal (MPF) também emitiu uma nota de pesar (a íntegra), destacando a importância de Tiago na luta das causas indígenas: 

"Tiago era uma das mais importantes lideranças indígenas do estado. Sempre demonstrando coragem e habilidade para negociação, ele integrou diversas iniciativas em prol das comunidades, como a criação do Comitê Interaldeias, e foi um altivo representante de seu povo junto ao MPF na defesa dos direitos Guarani".

O Sesc SP também emitiu uma nota de pesar, em que destaca as características generosas de Tiago e cita suas conquistas em prol das causas indígenas: 

"À aldeia Kalipety (Terra Indígena Tenondé Porã) e ao povo Guarani, expressamos nossos mais profundos sentimentos diante da perda de Karaí Tiago Honório dos Santos e de sua família – Laudiceia Benites, seus filhos Luna e Tadeu Hiago Wera Mirim, a irmã Cleonice Honorio dos Santos, Ileo Benites e Genilson Euzébio Karay Mirim.

Importante liderança indígena, Karaí Tiago esteve presente em diversas atividades realizadas pelo Sesc São Paulo, compartilhando conhecimentos, vivências e reflexões. Sua fala generosa e sua presença marcante contribuíram para aproximar o público da profundidade e da riqueza dos saberes guarani.

Que seu legado permaneça vivo e continue inspirando as lutas e os caminhos em defesa dos povos indígenas, aos quais dedicou sua atuação na aldeia Kalipety, na Comissão Guarani Yvyrupa e no Comitê Interaldeias".