28 de outubro de 2020
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No Cascatinha comunidade “adota” três irmãs, a menor com 3 anos, que perambulam pela praça

Três irmãs, a mais velha com 7 anos, as outras duas com 5 e 3 anos, foram literalmente “adotadas” pelos moradores da Rua Aurélio Brito, no Bairro Cascatinha. De manhã e a noite elas batem nas casas, reclamam da fome e acabam comovendo as pessoas que dão a elas o que comer.

As meninas moram algumas quadras abaixo, na última rua do bairro, a Diogo Cunha, percorrem diariamente várias quadras até o abandonado poliesportivo do Cascatinha onde despreocupadamente brincam até à noite em meio ao depredado parquinho de madeira e aos equipamentos da academia a céu aberto, um deles já arrancado por vândalos.

Além de estarem expostas ao perigo de sofrer abusos e violência num local onde à noite usuários de drogas se juntam, elas ainda se arriscam a machucar os pés com os pregos dos brinquedos danificados.

Segundo relato de moradores ,que dizem ter feito denúncias ao Conselho Tutelar e a Secretaria de Assistência Social, as meninas chegam cedo, por volta das 7 horas e só voltam para casa em plena noite. Perambulam pelas ruas e ficam no parque mesmo nos dias de chuva.

“Elas ficam brincando na enxurrada. Só por um milagre que  ainda não ficaram doentes”, comenta uma das moradoras que ao mesmo tempo se mostra indignada com o estado de abandono das crianças e se comove com a situação delas.

“Os vizinhos disseram que eu até adotei as meninas. O que faço é simplesmente dar um prato de comida as crianças”, relata. Ela encarregou sua filha pré-adolescente de vez por outra dar uma olhadinha na praça onde as irmãs, junto com outras crianças do bairro, passam os dias brincando.

Na falta de bonecas, as meninas trazem de casa peças de roupa, que segundo elas, a mãe, Marta Martinês dos Santos, jogou fora, penduram no escorregador de madeira, que a imaginação delas transformou num guarda-roupa. Além das semelhanças físicas, elas tem em comum a letra inicial do seus nomes, o  P. A  irmã mais velha, de 7 anos, conta que o pai foi morto há tiros em Campo Grande e  tem um irmãozinho recém nascido.

Ela conta que fica no parque porque em casa não tem quintal onde possa brincar. Ontem à reportagem esteve na casa das meninas e informou a mãe delas que elas estavam perambulando sozinhas pela praça do bairro. Dona Marta, se mostrou surpresa e disse que as meninas tinham saído para brincar na casa de uma vizinha.

“Obrigado moço, vou agora mesmo pegar elas”, promete. Deve ter ido, já que um conselheiro tutelar (alertado pelo Região News) passou pelo  Poliesportivo do Cascatinha  e as meninas não estavam. O caso delas já foi levado ao CREAS e a mãe advertida da situação do abandono.

Região News