30 de setembro de 2020
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Dois meses após ocupação de área pública, violência em Dourados se torna preocupante para polícia

Uma questão problemática tanto no que diz respeito à questão jurídica, quanto às consequências que vem junto da falta de uma solução.

A área ocupada por famílias onde um condomínio residencial teve as suas obras paralisadas, no Jardim Clímax, se arrasta desde o dia 8 de janeiro e já é considerada “problemática”, segundo autoridades policiais ouvidas pelo Dourados News.

No dia 20 de fevereiro, um homem de 30 anos foi assassinado a tiros. Nesta segunda-feira (3), um rapaz de 19 anos foi preso acusado de roubo e tráfico de drogas, depois que policiais encontraram uma moto roubada e papelotes de cocaína e pasta base no barraco dele, que ficava dentro do acampamento.

Segundo o delegado regional da Polícia Civil em Dourados, Antônio Carlos Videira, muitos criminosos evadidos e outros procuram se instalar nesses locais que não possuem identificação definida, onde encontram um esconderijo.

“Verificamos pessoas que saíram de presídios que procuram recomeçar a vida, e os que se aproveitam da vulnerabilidade desses locais e da falta de estrutura para fugirem da ação da Justiça e se esconderem. E estes criminosos contam com a boa fé das demais famílias para se evadir. Isso porque como há uma tensão por conta da reintegração, qualquer ação policial é alarmada, então os moradores avisam e esses criminosos usam dessa colaboração das pessoas para fugirem da Lei”, explicou o delegado.

Ainda de acordo com Videira, a polícia tem trabalhado no sentido de desenvolver ações de investigação para impedir que o problema “se torne grande”.

“É uma situação preocupante, temos efetuado prisões lá, e vamos seguir desenvolvendo ações no sentido de investigar e impedir que a situação avance e se torne ainda mais problemática”, finalizou o delegado.

De acordo com 'Maurício Neguinho', membro da comissão que representa as 300 famílias que, segundo ele mesmo, permanecem na área, os moradores 'de bem' estão trabalhando junto com a polícia. No entanto, os acampados admitem preocupação com a violência por si só, e com possíveis prejuízos no que diz respeito ao processo de negociação das famílias junto à Justiça.

“Apesar desses casos eu acredito que as boas intenções das famílias de bem se sobressaem. Mas, ainda assim, ficamos preocupados porque de repente essa má fama pode vir a nos prejudicar junto à Justiça. Queremos que o que fique em destaque, sejam as nossas reivindicações, que são justas”, disse Neguinho.

Situação crítica é levada em conta em processo de reintegração

Procurado pelo Dourados News o procurador geral do município, Alessandro Lemes Fagundes, disse que a situação do acampamento no Clímax segue indefinida e sem prazos estabelecidos. Para o procurador, os casos de crimes praticados na área interfere nos rumos para uma solução.

“Isso tudo está sendo levado em consideração dentro dos rumos da reintegração. É uma área invadida, onde a prefeitura não pode entrar justamente por este motivo, e sem a infraestrutura necessária esse tipo de situação acaba se desenhando, infelizmente”.

A reintegração de posse que foi expedida ainda em janeiro, e que hoje está suspensa, deve ter novos capítulos na semana que vem, de acordo com Fagundes.

“Semana que vem acreditamos que chega ao fim o último prazo que foi estabelecido após a suspensão temporária que foi concedida, e que as famílias deverão sair da área. Está sendo feito um novo cadastramento das famílias para que estejam regularizadas no programa municipal habitacional”, finalizou o procurador.

Dourados News