10 de fevereiro de 2026
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CARTAS MARCADAS -

Gaeco descobre corrupção de R$ 9 milhões envolvendo 5 cidades de MS

Operação cumpre 46 buscas e afasta 5 servidores públicos

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Uma força-tarefa do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), braço de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), deflagrou, na manhã desta 3ª feira (10.fev.26), a operação Cartas Marcadas, que visa para desarticular um esquema de fraudes em contratos públicos.

De acordo com o MPE, o foco das investigações está na participação de servidores públicos e empresas privadas que estariam fraudando licitações nos municípios de Rio Negro e Corguinho, esquemas que tem ramificações em Campo Grande, Rochedo e Terenos.

Ao todo, foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão, 5 mandados de afastamento dos cargos públicos, 22 mandados de proibição de contratar com o Poder Público e 3 mandados de suspensão de contratos vigentes com o Poder Público, todos expedidos pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

ALVOS SÃO POLÍTICOS

Fontes ligadas à investigação confirmaram à reportagem do MS Notícias que a operação atingiu diretamente figuras políticas de destaque no interior do estado.

Em Corguinho, cerca de oito viaturas foram mobilizadas para cumprir mandados. O principal alvo no município foi a ex-prefeita Marcela Ribeiro Lopes (PSDB). Agentes do Gaeco estiveram na residência da ex-gestora para busca e apreensão de documentos e dispositivos eletrônicos.

Simultaneamente, em Rio Negro, as equipes de elite do Ministério Público cumpriram mandados em endereços ligados ao ex-prefeito conhecido como Buda do Lair (PSDB).

Segundo o MPE, a organização criminosa utilizava servidores públicos corrompidos para fraudar licitações e direcionar contratos a empresas integrantes do esquema, comprometendo a concorrência nos processos de contratação pública.

As irregularidades iam de compras diretas de materiais de expediente, com dispensas de licitação manipuladas, à contratação de empresas para obras públicas que sequer eram iniciadas antes da formalização dos contratos.

Apenas nos últimos três anos, os contratos investigados somam cerca de R$ 9 milhões. A íntegra.

"POLVO" EMPRESARIAL EM TERENOS

Embora o foco oficial do esquema seja Rio Negro e Corguinho, o município de Terenos serviu como base para buscas estratégicas. O alvo central foi o empresário Rogério Luiz Ribeiro.

Agentes vasculharam a residência do empreiteiro e a sede de sua empresa, a Marsoft Informática Construções e Serviços, localizada na Rua Doutor Ari Coelho, no centro da cidade.

A reportagem apurou que a natureza "multitarefa" da empresa chamou a atenção dos investigadores: o local exibe fachadas para serviços de energia solar (Marsoft Energy), escritório de advocacia e loja de roupas, além de ser o endereço fiscal da construtora RS, registrada em nome da esposa de Rogério.

Rogério Ribeiro, que acompanhou as buscas, afirmou ter contratos ativos com prefeituras para serviços variados, que vão de construção civil a manutenção de computadores.

Sua esposa, Stenia Silva, informou que a construtora da família não é o alvo, sugerindo que a investigação remonta a um período anterior, quando o casal operava uma gráfica que imprimia documentação para licitações.

RAMIFICAÇÃO

Além dos alvos políticos e do núcleo empresarial em Terenos, o Gaeco estendeu as buscas para Aquidauana, onde um escritório de engenharia — cujo nome ainda não foi divulgado — também foi alvo de mandados de busca e apreensão.

O atual prefeito de Terenos, Arlindo Lindolfo (Republicanos), comunicou oficialmente que a sede da Prefeitura não foi alvo desta operação específica, distanciando a atual administração dos fatos apurados hoje.

FREGUÊS DO GAECO

A ação desta 3ª feira é mais um episódio negativo à política de Terenos, cidade de apenas 18.182 habitantes, que entrou de vez para o mapa da corrupção. Essa foi a quinta operação no município, no período de dois anos.

Dados do Gaeco relembram que, em 21 de janeiro de 2026, as operações Collusion e Simulatum já haviam desbaratado uma organização criminosa focada em fraudes gráficas na Prefeitura e na Câmara Municipal.

As investigações levaram o ex-prefeito Henrique Budke (PSDB) à cadeia, em 2024, após a Operação Spotless revelar um enriquecimento incompatível: o patrimônio de Budke saltou de R$ 776 mil para R$ 2,46 milhões em curto período.

As investigações seguem sob sigilo para análise do material apreendido, que servirá de prova para futuras denúncias criminais.